Queimadas preocupam o turismo no Amazonas

Dados do IBGE apontam retração de 15% no volume das atividades turísticas do Amazonas em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em outubro, a intensificação da fumaça provocada por queimadas passou a afetar a experiência dos visitantes, levando ao adiamento de passeios.

O turismo no Amazonas enfrenta um cenário de dificuldades em 2026. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume das atividades turísticas do estado caiu 15% em agosto, na comparação com o mesmo período de 2025. Paralelamente, a intensificação das queimadas e a piora da qualidade do ar passaram a interferir na programação dos visitantes, especialmente em destinos que dependem de experiências ao ar livre.

A retração registrada pelo IBGE ocorreu antes do agravamento dos episódios de fumaça observados em outubro. Portanto, não é possível atribuir diretamente a queda de agosto à crise ambiental mais recente. Entretanto, os relatos de guias e empresários indicam que a poluição atmosférica representa um desafio adicional para a atividade turística.

Em Manaus e em outros municípios amazonenses, visitantes têm demonstrado preocupação com a fumaça que encobre parte da paisagem e compromete as condições para determinadas atividades de natureza.

A presença de fumaça provocada por queimadas e incêndios florestais tem levado alguns turistas a modificar seus planos de viagem.

Jairo Félix, vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), relatou que visitantes mais sensíveis à poluição, incluindo idosos e pessoas com problemas respiratórios, preferem aguardar uma melhora da qualidade do ar antes de participar das excursões.

Segundo o representante, os cancelamentos ainda são pontuais, e as atividades turísticas continuam sendo realizadas. Entretanto, os profissionais precisam orientar os clientes sobre as condições ambientais e, em alguns casos, adaptar a programação.

A situação afeta principalmente os passeios que envolvem permanência prolongada em ambientes externos, nos quais a qualidade do ar pode influenciar diretamente o conforto e a segurança dos participantes.

O empresário e guia de turismo Mario Sergio de Jesus, que atua há oito anos no segmento de ecoturismo e turismo de experiência, também percebeu uma redução na procura por seus serviços durante os períodos de fumaça.

De acordo com o profissional, muitos visitantes se surpreendem ao encontrar o céu encoberto pela fumaça, especialmente porque chegam à região com a expectativa de vivenciar experiências ligadas à floresta e aos ambientes naturais da Amazônia.

Apesar das dificuldades, os profissionais destacam que a fumaça não afeta todas as regiões do Amazonas com a mesma intensidade. Essa diferença permite avaliar alternativas de passeios e desenvolver atividades em locais que apresentem condições ambientais mais favoráveis.

Entre as experiências que podem continuar disponíveis, dependendo da situação de cada destino, estão visitas a cachoeiras, passeios fluviais, praias de rio e atividades culturais.

Atividade turística apresenta retração no acumulado do ano

Os números do IBGE mostram que a queda registrada em agosto faz parte de um período de desempenho mais fraco do turismo amazonense. Embora o volume das atividades turísticas tenha apresentado crescimento de 1% em agosto em relação a julho, o resultado permaneceu 15% abaixo do observado no mesmo mês de 2025.

O desempenho contrasta com o resultado nacional, que apresentou crescimento de 0,9% em agosto na comparação interanual. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços e se referem ao volume das atividades características do turismo, indicador que inclui segmentos como hospedagem, alimentação, transporte de passageiros e agências de viagens.

A crise ambiental adiciona um novo fator de preocupação para o turismo. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 5.365 focos de incêndio entre 1º de setembro e 14 de outubro de 2026.

O número representa um crescimento de 195% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Durante outubro, Manaus enfrentou episódios prolongados de poluição atmosférica, com registros de qualidade do ar extremamente desfavorável.

A situação provocou alterações na rotina da população, incluindo suspensão de aulas e restrições a determinadas atividades ao ar livre. Diante do avanço das queimadas, o Governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios do estado no dia 10 de outubro. A medida foi reconhecida pelo governo federal.

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