Segundo a UnB, 301 de 360 regiões turísticas do Brasil foram afetadas por eventos extremos

Calle Marcílio Dias, en Porto Alegre, durante la inundación de mayo de 2024

Os pesquisadores sustentam que os eventos extremos crescem sem que o setor tenha incorporado prevenção e adaptação, enquanto o país recebeu 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, segundo a Agência Brasil.

Entre 2020 e 2025, 301 das 360 regiões turísticas catalogadas no Mapa do Turismo Brasileiro foram afetadas por eventos climáticos extremos. Isso equivale a 83,6% das regiões registradas nessa ferramenta do Ministério do Turismo.

O dado vem do estudo “Eventos climáticos extremos no turismo brasileiro: o confronto entre os impactos e as (re)ações”, de pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB), segundo informou a Agência Brasil em 6 de novembro.

Para chegar a esse número, os autores cruzaram o Mapa do Turismo com o Banco de Dados de Eventos de Emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres, de 1990 a 2025, e complementaram o cruzamento com a análise de atas do Conselho Nacional de Turismo e de documentos de políticas públicas sobre o tema.

Os autores concluem que, nas últimas quatro décadas, a ocorrência de eventos extremos mostra uma tendência de crescimento que não foi acompanhada por ações de prevenção e adaptação no turismo. Ao mesmo tempo, a Agência Brasil informa que o fluxo de visitantes está em plena expansão: o país chegou a 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, um recorde, depois de o setor voltar, em 2024, ao patamar da década anterior, com média de 6 milhões.

Jaqueline Gil, uma das autoras, sustenta que os números indicam que o turismo brasileiro já atua em um cenário de alta vulnerabilidade climática. “Deixar de tratar esses eventos como algo excepcional e reconhecer esta nova realidade, planejar e agir para minimizar seus efeitos é o mínimo que precisamos fazer”, afirmou e acrescentou que cada região exigirá ações adaptadas à sua realidade.

A vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Fernanda Dornelles, disse que a pressão das mudanças climáticas já é sentida entre os operadores, que se adaptam conforme suas possibilidades, mas que as respostas ainda são insuficientes. Segundo ela, a saída passa por articular o conhecimento, as boas práticas e o diálogo entre as empresas, o poder público e as comunidades locais.

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