Durante eventos realizados em Macau, a associação destacou a necessidade de transformar os investimentos em inteligência artificial, pagamentos digitais e identificação biométrica em benefícios concretos para passageiros e empresas. A modernização da comercialização de passagens e a adoção de padrões internacionais estão entre as prioridades do setor.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) defendeu a aceleração da transformação digital da aviação comercial, com foco na redução de custos operacionais, na eficiência financeira das companhias aéreas e na simplificação da experiência dos passageiros. A entidade considera que o principal desafio do setor já não está apenas na incorporação de novas tecnologias, mas na capacidade de transformar essas ferramentas em ganhos concretos para toda a cadeia do transporte aéreo.
As prioridades foram apresentadas nesta quarta-feira, 28 de outubro, em Macau, durante a abertura do World Financial Symposium (WFS) e do World Passenger Symposium (WPS), encontros internacionais organizados pela IATA para discutir o futuro financeiro e operacional da indústria.
Durante sua apresentação, Sandrine Le Borgne, diretora-geral interina, diretora financeira e vice-presidente sênior de Serviços Corporativos da IATA, destacou que os passageiros já utilizam inteligência artificial para planejar viagens, carteiras digitais para realizar pagamentos e sistemas biométricos para agilizar sua passagem pelos aeroportos.
O próximo passo, segundo a executiva, será integrar essas inovações de maneira que contribuam simultaneamente para melhorar a experiência dos viajantes e fortalecer a sustentabilidade financeira das empresas aéreas.
Inteligência artificial transforma a venda de passagens aéreas
Uma das principais preocupações da IATA envolve as mudanças na maneira como os consumidores pesquisam, comparam e compram viagens. O avanço dos assistentes de inteligência artificial e dos agentes automatizados está criando novos canais de relacionamento com os passageiros, que podem consultar diferentes opções de voos, comparar preços e planejar itinerários sem necessariamente acessar diretamente os sites das companhias aéreas.
Para as empresas, essa transformação representa oportunidades comerciais, mas também riscos relacionados ao controle dos dados e ao relacionamento com os clientes.
A IATA considera fundamental que as companhias mantenham o domínio sobre suas informações comerciais e assegurem a qualidade dos dados utilizados pelas plataformas digitais. Nesse contexto, a associação destacou a importância da iniciativa Modern Airline Retailing, voltada à modernização da comercialização de produtos e serviços aéreos.
O modelo utiliza os padrões conhecidos como Offers and Orders, que permitem organizar ofertas personalizadas e concentrar as informações de compra e serviços em registros digitais integrados.
Atualmente, sete companhias aéreas já utilizam ou estão implementando a tecnologia de Orders, enquanto mais de vinte devem iniciar esse processo a partir de 2027.
De acordo com a IATA, fornecedores de tecnologia já comprometeram mais de US$ 1,7 bilhão em investimentos relacionados aos sistemas Offers and Orders. “Offers e Orders são a base; a inteligência artificial é o acelerador. Eles precisam avançar juntos à medida que a IA transforma cada vez mais a maneira como as viagens são descobertas, vendidas e atendidas”, afirmou Le Borgne.
Processamento de pagamentos custa mais de US$ 24,5 bilhões por ano
A digitalização também ocupa uma posição central nas estratégias de sustentabilidade financeira das companhias aéreas.
Segundo a IATA, o setor gasta anualmente mais de US$ 24,5 bilhões com o processamento de pagamentos, um custo significativo que pode ser influenciado pela introdução de novos meios digitais.
Carteiras eletrônicas e outras modalidades de pagamento ampliam as alternativas disponíveis aos consumidores, mas também podem modificar as despesas das empresas, seus fluxos de caixa e a exposição a riscos financeiros.
Por esse motivo, a associação defende que a adoção dessas tecnologias seja acompanhada de uma avaliação integrada dos custos e benefícios.
A transformação dos sistemas de vendas também deverá considerar, desde o início, os processos de conciliação financeira, liquidação de transações e contabilização das receitas. A proposta é evitar que a digitalização apenas reproduza procedimentos complexos em novos sistemas tecnológicos, sem produzir ganhos efetivos de eficiência.
Outra prioridade identificada pela IATA é a expansão da identidade digital nos aeroportos. Os sistemas biométricos já são utilizados em diferentes etapas da jornada dos passageiros, incluindo identificação, controles de segurança e embarque. Entretanto, muitas dessas soluções funcionam apenas em determinados aeroportos ou países, o que limita sua utilização em viagens internacionais.
A associação considera que a falta de interoperabilidade entre os sistemas impede o aproveitamento integral dos benefícios da tecnologia. Nesse sentido, os governos terão um papel decisivo na emissão e aceitação de credenciais digitais de viagem.
A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) já desenvolveu padrões para a Digital Travel Credential (DTC), uma credencial destinada a permitir a identificação segura dos viajantes por meios digitais.
Segundo a IATA, mais de oito em cada dez passageiros demonstram interesse em utilizar um passaporte digital para realizar o check-in. A entidade sustenta que a adoção de normas comuns entre países será indispensável para permitir que essas credenciais sejam reconhecidas internacionalmente e utilizadas em diferentes etapas da viagem.
A ampliação desses sistemas poderia reduzir a necessidade de apresentar repetidamente documentos físicos, acelerar procedimentos aeroportuários e contribuir para uma melhor utilização da infraestrutura existente.



