Previsto oficialmente para o último trimestre de 2026, o sistema europeu de autorização de viagens ainda não teve adiamento formal confirmado. Segundo o Financial Times, a União Europeia avalia postergar a implementação após problemas na adoção do controle biométrico de entrada e saída.
O novo Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem, conhecido pela sigla ETIAS, pode ter sua entrada em vigor adiada para 2027. A medida, que afetará viajantes de países isentos de visto para estadias curtas na Europa, estava prevista oficialmente para começar no último trimestre de 2026, mas enfrenta incertezas após os transtornos provocados pela implantação do sistema biométrico de controle de fronteiras no Espaço Schengen.
De acordo com o Financial Times, a União Europeia deve postergar o lançamento do ETIAS devido às dificuldades operacionais registradas com o Entry/Exit System (EES), sistema que passou a substituir o carimbo manual de passaportes por registros digitais de entrada e saída, incluindo dados biométricos de viajantes de fora da União Europeia.
Até o momento, porém, o portal oficial da União Europeia ainda informa que o ETIAS começará a operar no último trimestre de 2026 e destaca que os viajantes não precisam tomar nenhuma providência por enquanto. A data definitiva deverá ser comunicada pela UE alguns meses antes do início do sistema.
Quando entrar em vigor, o ETIAS funcionará como uma autorização eletrônica prévia para viagens de curta duração a 30 países europeus. Não se trata de um visto, mas de um requisito adicional para cidadãos de países que hoje não precisam solicitar visto Schengen para turismo, negócios ou trânsito.
Para o mercado brasileiro, o tema é relevante. Atualmente, brasileiros não precisam de visto para viagens de turismo de até 90 dias em destinos do Espaço Schengen, segundo orientação consular do Itamaraty. Com o ETIAS, esse perfil de viajante deverá solicitar uma autorização online antes do embarque, quando o sistema estiver efetivamente em operação.
A taxa prevista para a solicitação será de 20 euros. Menores de 18 anos e pessoas acima de 70 anos estarão isentos do pagamento, embora também devam solicitar a autorização.
A pressão por um novo adiamento aumentou depois que aeroportos e companhias aéreas europeias alertaram para os impactos do EES. Em carta aberta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, entidades do setor afirmaram que a implementação do sistema chegou a um “ponto crítico”, com filas de até cinco horas em períodos de pico, atrasos, perda de conexões e pressão operacional sobre aeroportos e autoridades de fronteira.
Apesar das críticas, a União Europeia rejeitou suspender integralmente o EES. Autoridades europeias reconheceram a existência de pontos problemáticos, mas afirmaram que uma suspensão total não seria necessária nem possível, especialmente diante da necessidade de manter um sistema uniforme de controle de entradas e saídas no bloco.
O ETIAS será vinculado ao passaporte do viajante e terá validade de até três anos ou até o vencimento do documento, o que ocorrer primeiro. A autorização permitirá estadias curtas, normalmente de até 90 dias dentro de um período de 180 dias, mas não substituirá vistos de trabalho, estudo ou residência.
Mesmo quando o sistema começar a funcionar, haverá um período de transição. Nessa fase, os viajantes serão orientados a solicitar a autorização, mas não deverão ser impedidos de entrar caso ainda não a tenham, desde que cumpram os demais requisitos migratórios.
Para agências de viagens, operadoras e passageiros brasileiros, a recomendação é acompanhar apenas os canais oficiais da União Europeia antes de qualquer pagamento. Como o ETIAS ainda não está ativo, sites que prometem emissão imediata ou cobram valores superiores ao previsto devem ser vistos com cautela.



