Visit Florida mira brasileiros e argentinos e quer espalhar turistas por todo o estado

O CEO da Visit Florida afirma que a América Latina responde pela maior parte do crescimento de visitantes estrangeiros no primeiro trimestre, com alta de 8,5% sobre o ano anterior. Com a Copa do Mundo como vitrine, a entidade prevê novas iniciativas e mais suporte a agentes e operadores na região.

A América Latina segue como uma das grandes apostas do turismo internacional na Flórida, segundo Bryan Griffin, President & CEO da Visit Florida. Em declarações dadas durante encontros do setor na IPW, o executivo afirmou que o desempenho da região tem sido consistente, com crescimento ano a ano nos países latino-americanos acompanhados pela entidade.

“A América Latina continua sendo uma das oportunidades mais empolgantes para nós; o céu é o limite”, disse Griffin, ao destacar que, entre os mercados estrangeiros da Flórida, a região ocupa quatro das cinco primeiras posições em desempenho. “É um grande negócio”, resumiu.

Griffin também antecipou números positivos do primeiro trimestre (Q1) sobre visitas internacionais: segundo ele, houve crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior, com a maior parte desse avanço impulsionada por viajantes latino-americanos — mesmo com base de comparação elevada, já que os anos recentes foram classificados por ele como “históricos” para o destino. Embora a Flórida lidere o turismo doméstico nos Estados Unidos, o CEO ressaltou que o segmento internacional “continua indo muito, muito bem”.

Com a aproximação da Copa do Mundo, a Visit Florida pretende intensificar ações de promoção e relacionamento com o trade na região. A estratégia inclui ampliar recursos para agentes e operadores, estimular a criação de novos pacotes e aproveitar a vitrine do evento para impulsionar viagens.

Griffin afirmou que o mercado pode esperar novas ações para agentes de viagem em países latino-americanos “no próximo mês”, além de iniciativas adicionais no início do ano fiscal, em julho. “Como podemos ficar em cima das tendências e criar novos produtos? Temos muito a fazer”, disse.

A entidade também tem defendido que a Flórida pode funcionar como “base” para torcedores durante o torneio. Griffin citou Miami como um dos destinos com maior tração junto às estruturas do evento e destacou que haverá partidas relevantes no estado, incluindo jogos envolvendo o Brasil, além de seleções como Colômbia e Portugal. Ele mencionou ainda a previsão de fan zones e celebrações espalhadas, reforçando que o visitante pode “entrar no clima” mesmo sem ir ao estádio.

Questionado sobre diferenças entre mercados, Griffin afirmou que os brasileiros seguem fortemente ligados às compras, com destaque para as outlets, e também aos parques temáticos, que continuam atraindo pelo investimento em experiências imersivas inspiradas em filmes e livros. Ele citou ainda o apelo recorrente de “compras e café” para esse público.

O CEO apontou que a conectividade aérea — sobretudo a partir de mercados como México e Colômbia — tem favorecido viagens mais frequentes. Em paralelo, cresce a busca por viagens de experiência, estruturadas em torno de eventos esportivos, shows e ocasiões específicas, tendência que, segundo ele, atravessa a América Latina.

No caso argentino, Griffin chamou atenção para a relevância do mercado: de acordo com ele, 70% das viagens de argentinos aos Estados Unidos têm a Flórida como destino. O desafio, porém, é reduzir a concentração em Miami e estimular a circulação para outras regiões do estado.

A estratégia apresentada por Griffin inclui reforçar que é simples seguir de Miami para diferentes áreas, com trem, aluguel de carro e opções rodoviárias, além de incentivar rotas para destinos como Tampa e a costa oeste. Ele também citou relatos do trade brasileiro sobre turistas que, após Orlando, têm incluído St. Augustine e Cape Canaveral — movimento que a Visit Florida quer ampliar.

Para aprofundar o relacionamento com o trade, Griffin afirmou que a Visit Florida realiza treinamentos e ativações em mercados latino-americanos e revelou a intenção de elevar esse trabalho ao próximo nível com uma conferência no estilo “huddle” no Brasil, reunindo convidados de toda a região. A proposta é transformar o encontro em um evento anual e recorrente, para acelerar a capacitação e a criação de novos produtos.

No recado final, Griffin disse que a Visit Florida quer ser um recurso para agentes, com ferramentas de treinamento e canais de atualização. Ele também voltou a destacar destinos menos conhecidos entre latino-americanos, como praias do Panhandle — a “Emerald Coast” e a “Forgotten Coast” — apresentadas como alternativas para road trips.

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