Segundo dados da IATA, a demanda internacional das companhias aéreas latino-americanas cresceu 8,2% em setembro de 2026, o melhor desempenho entre todas as regiões. No Brasil, o tráfego doméstico aumentou 2%, mas a oferta de assentos avançou 7,1%, provocando uma queda de quatro pontos percentuais na taxa de ocupação.
A América Latina e o Caribe mantiveram um desempenho positivo no transporte aéreo em setembro de 2026, contrariando a tendência de enfraquecimento observada no mercado mundial. De acordo com o relatório divulgado em 30 de outubro pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), as companhias da região registraram crescimento de 8,2% na demanda por voos internacionais, o maior avanço entre os mercados analisados.
O resultado contrasta com a retração de 0,5% registrada na demanda global, medida em passageiros-quilômetros pagos transportados (RPK). No mesmo período, a capacidade mundial, calculada em assentos-quilômetros disponíveis (ASK), diminuiu 0,2%, enquanto a taxa média de ocupação ficou em 83,2%, recuo de 0,3 ponto percentual em relação a setembro de 2025.
A IATA atribuiu a fraqueza do mercado global principalmente ao desempenho das companhias do Oriente Médio e da América do Norte. Excluindo o Oriente Médio, a demanda mundial teria registrado crescimento de 0,3%.
América Latina registra maior expansão internacional
As companhias latino-americanas tiveram o melhor desempenho no segmento internacional, com aumento de 8,2% na demanda e expansão de 7,6% na capacidade ofertada. Como o tráfego cresceu acima da disponibilidade de assentos, a taxa de ocupação avançou 0,5 ponto percentual, alcançando 83,9%.
No mercado total, considerando voos domésticos e internacionais, a demanda das empresas da América Latina e do Caribe cresceu 4,3%, enquanto a capacidade aumentou 5,1%. A ocupação média ficou em 82,9%, queda de 0,6 ponto percentual.

No acumulado de janeiro a setembro, o tráfego internacional das companhias latino-americanas apresentou expansão de 9,1%, diante de um crescimento de 7,8% na oferta de assentos.
Os números confirmam a importância das operações internacionais para o desempenho regional, embora também indiquem diferenças entre a expansão da capacidade e a evolução da demanda.
Brasil cresce 2%, mas registra queda na ocupação dos voos
No mercado doméstico brasileiro, a demanda aumentou 2% em setembro, em comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado representa uma desaceleração em relação a agosto, quando o crescimento havia alcançado 4,3%.
A oferta de assentos, por sua vez, avançou 7,1%, ritmo significativamente superior ao da procura. Como consequência, a taxa de ocupação dos voos domésticos caiu quatro pontos percentuais, para 80,2%.
O resultado mostra que a ampliação da capacidade das companhias aéreas brasileiras não foi acompanhada, na mesma proporção, pelo crescimento do tráfego de passageiros.
Apesar da desaceleração mensal, o balanço acumulado permanece positivo. Entre janeiro e setembro, a demanda doméstica brasileira cresceu 5,6%, enquanto a capacidade aumentou 6,8%. A taxa média de ocupação no período ficou em 81,7%, recuo de 0,9 ponto percentual.
O Brasil esteve entre os três grandes mercados domésticos que apresentaram crescimento em setembro, ao lado da Austrália, com alta de 4,5%, e da China, com avanço de 3,1%.
Em contrapartida, Estados Unidos, Índia e Japão registraram retração, contribuindo para a queda global de 2,2% na demanda doméstica.
O relatório da IATA revela que o tráfego aéreo entre a Europa e a América do Sul cresceu 3,5% em setembro, enquanto as rotas entre Europa e América Central registraram avanço de 1,5%. Os dois corredores apresentaram as maiores taxas de ocupação entre as principais ligações internacionais analisadas, com 89,8% e 89,1%, respectivamente.
Segundo Marie Owens Thomsen, economista-chefe da IATA, a queda de 0,5% na demanda global em setembro representa uma melhora em relação à retração de 0,8% registrada em agosto. A executiva destacou que a recuperação permanece desigual entre as regiões, em um cenário marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade dos preços dos combustíveis.
Para outubro e novembro, a associação projeta crescimento da oferta mundial de assentos de 0,6% e 1,5%, respectivamente, em comparação com os mesmos meses de 2025.



