O Anuário BLTA 2026 mostra que os meios de hospedagem de alto padrão receberam cerca de 1 milhão de hóspedes em 2025, com diária média de R$ 3.109. Brasileiros responderam por 70% da demanda, enquanto operadoras registraram aumento do ticket médio tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
O turismo de luxo no Brasil encerrou 2025 com faturamento bruto estimado em R$ 3,34 bilhões entre os meios de hospedagem, mantendo estabilidade financeira e registrando avanços em volume de hóspedes, experiências de alto padrão e práticas de sustentabilidade.
Os dados fazem parte do Anuário BLTA 2026, elaborado pela Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) em parceria com o Centro Universitário Senac. O levantamento reúne informações de 71 associados, sendo 63 hotéis, pousadas, lodges e resorts e oito operadoras e DMCs. A própria entidade ressalta que os números representam o universo de seus associados e não todo o mercado brasileiro de luxo.
O faturamento dos meios de hospedagem avançou 0,8% em relação a 2024. A diária média ficou em R$ 3.109, enquanto o número de hóspedes se aproximou de 1 milhão e a taxa média de ocupação permaneceu em 50%.
Nas operadoras, o comportamento foi mais expansivo. O ticket médio diário das viagens domésticas alcançou R$ 16.524, crescimento de 6% na comparação anual. Entre os clientes internacionais, o valor chegou a R$ 21.216 por dia, alta de 4%.
Brasileiros respondem por 70% dos hóspedes
Mesmo com o crescimento da procura internacional pelo Brasil, o viajante brasileiro continua sendo o principal consumidor da hotelaria de luxo do país. Em 2025, o mercado doméstico representou 70% dos hóspedes, contra 30% de estrangeiros.
Entre os visitantes internacionais, a Europa respondeu por 13% do total, seguida pela América do Norte, com 9%, e América Latina, com 5%. França permaneceu como um dos principais mercados europeus, enquanto a Itália ganhou relevância. Nos mercados latino-americanos, Argentina, Chile e Uruguai apareceram entre os principais emissores.
O perfil das operadoras apresenta uma composição diferente: 38% dos clientes vieram da América do Norte e 36% da Europa, enquanto o Brasil respondeu por 15%.
Outro contraste aparece no tempo de permanência. Entre os hóspedes brasileiros, 58% fizeram estadias de até três diárias. Já entre os turistas estrangeiros atendidos pelas operadoras, 80% permaneceram no país por mais de sete dias, com forte presença de viagens de oito a 14 dias.
Rio de Janeiro lidera entre os destinos
O Rio de Janeiro continua sendo o destino brasileiro mais procurado pelas operadoras de turismo de luxo, citado por 51% dos participantes. Na sequência aparecem Foz do Iguaçu, com 40%, e Pantanal, com 24%.
Maranhão, litoral da Bahia, Salvador, São Paulo, litoral do Ceará e Fernando de Noronha também figuram entre os destinos mais demandados pelo público de alto padrão.
O lazer permanece como principal motivação das hospedagens, com 55% das viagens. Eventos e celebrações têm peso importante: Réveillon foi citado por 82% dos empreendimentos, Carnaval por 67% e casamentos por 60%.
Os dados também reforçam uma mudança naquilo que o viajante de alto padrão procura. Mais do que ostentação, ganham relevância serviços relacionados a bem-estar, personalização e experiências vinculadas ao destino.
Bem-estar, spa e relaxamento foram mencionados por 93% dos empreendimentos, enquanto massagens chegaram a 92%, superando a gastronomia, citada por 85%. Serviços personalizados apareceram em 65% das respostas e experiências VIP, em 53%.
A sustentabilidade também avança como elemento estratégico. Atualmente, 28% dos associados da BLTA possuem certificações ESG e outros 54% estão em processo de certificação. A entidade estabeleceu como meta chegar ao fim de 2028 com 100% de seus membros certificados.
As perspectivas permanecem positivas: 71% dos participantes do levantamento pretendem ampliar seus negócios, seja com expansão física dos meios de hospedagem, seja com novos nichos e mercados entre as operadoras.



