Levantamento da Abav mostra que roteiros menos padronizados ganham espaço no país, enquanto lazer segue como principal motor das agências. Tecnologia, curadoria e atendimento personalizado passam a caminhar juntos em um setor ainda dominado por pequenas empresas.
O mercado brasileiro de agências de viagens vive uma mudança de perfil. Segundo CNN Brasil, com base no Censo ABAV 2025, os roteiros tradicionais e pacotes fechados seguem presentes, mas começam a dividir espaço com uma demanda crescente por viagens mais personalizadas, experiências locais e propostas menos engessadas.
O levantamento, realizado pela Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), traça um retrato de um setor formado majoritariamente por pequenas empresas e fortemente apoiado no turismo de lazer. Entre as agências participantes, 62,8% apontaram as viagens de lazer como sua principal atividade, em um cenário impulsionado pelo fortalecimento do turismo doméstico e regional.
Embora sol e praia e turismo cultural ainda liderem a oferta nacional, segmentos como turismo gastronômico, bem-estar, natureza, terceira idade, casamentos, luas de mel e turismo religioso vêm registrando crescimento expressivo. A tendência reforça uma mudança no papel das agências: menos intermediação operacional e mais curadoria da experiência.
A presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros, afirmou à CNN Brasil que o setor já vinha percebendo esse movimento, mas que o censo mostrou uma transformação mais ampla. Segundo ela, o pacote turístico tradicional, com transfer, city tour e paradas comerciais, vem cedendo espaço a viagens que valorizam o contato com comunidades locais e vivências ligadas ao cotidiano dos destinos.
O estudo foi realizado entre agosto e novembro do ano passado, por meio de formulário eletrônico. Das 2.343 agências associadas à Abav nos 26 estados e no Distrito Federal, 697 responderam à pesquisa, com participação de empresas de todas as regiões do país.
O levantamento também mostra que o mercado brasileiro não se comporta de forma homogênea. São Paulo aparece como o estado mais complexo, diverso e internacionalizado, com força em turismo corporativo, eventos, viagens internacionais e uso de tecnologia. O Rio de Janeiro se destaca pelo perfil internacional e premium, enquanto os estados do Sul figuram entre os maiores emissores de turistas.
No Nordeste, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte aparecem como mercados receptivos em expansão, refletindo o fortalecimento da região na captação de visitantes. Já parte da região Norte mantém um turismo mais associado a deslocamentos por trabalho, saúde e necessidades familiares.
Para Ana Carolina Medeiros, o turismo dos próximos anos deve abrir espaço para destinos hoje menos conhecidos. A executiva avalia que lugares ainda fora do radar do grande público podem rapidamente se transformar em desejo de viagem, especialmente diante da busca por natureza, autenticidade e experiências com identidade local.
Outro ponto destacado é o avanço da tecnologia no setor. Grandes empresas já trabalham com automação, análise de dados e chatbots, enquanto muitas agências menores ainda usam ferramentas digitais principalmente para comunicação e emissão de reservas.
Mesmo assim, o relatório indica que as agências mais bem-sucedidas são justamente aquelas que combinam presença digital, estratégias de marketing e atendimento personalizado. Para a Abav, a inteligência artificial tende a complementar o trabalho do agente, mas não substituí-lo.



