Medida publicada no Diário Oficial da União estende por mais dois meses os benefícios fiscais para importação e venda de querosene de avião e biodiesel. Com o combustível pressionado por tensões no Oriente Médio, governo tenta evitar repasse imediato às tarifas e reduzir impacto sobre a malha aérea.
Os benefícios fiscais concedidos à importação e à venda de querosene de aviação e biodiesel foram prorrogados até 31 de julho, segundo ato publicado no Diário Oficial da União e assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A extensão é vista como um alívio temporário para empresas de transporte, especialmente a aviação comercial, mais exposta à volatilidade do combustível.
A prorrogação chega em um momento em que o preço do querosene de aviação voltou ao centro das preocupações do setor. De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o QAV já representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias. Com a escalada recente dos preços, o receio é de que o aumento seja repassado ao consumidor, pressionando as passagens e, por tabela, a inflação em um serviço com forte efeito sobre turismo, negócios e logística.
Segundo informações citadas pela Agência Brasil, especialistas apontam que, desde fevereiro, o preço do produto mais que dobrou, saltando de R$ 3,30 para R$ 6,65 por litro. A alta tem sido associada a incertezas geopolíticas no Oriente Médio, que elevam o custo de energia e refinados, cenário que já vem provocando ajustes nas decisões operacionais das companhias aéreas.
A Abear também afirma que, diante do encarecimento do combustível, as empresas estão tendo de redesenhar as malhas, com redução de oferta em algumas rotas. A projeção do setor é de 93 voos a menos por dia em maio e 121 a menos por dia em junho, com impactos mais sensíveis nas regiões Norte e Nordeste, onde a conectividade aérea costuma ser mais dependente de poucos mercados e com menos alternativas de transporte.
No curto prazo, a prorrogação dos descontos funciona como uma tentativa de ganhar tempo enquanto o mercado busca algum grau de estabilização. Ainda assim, o setor aponta que a medida não elimina o problema estrutural do custo do combustível, apenas reduz parte da pressão num período de elevada incerteza, em que demanda, oferta e tarifas seguem ajustando o equilíbrio da aviação comercial no país.



