Acordo UE-Mercosul abre caminho para salto no turismo corporativo brasileiro

Avanço político do tratado reforça integração econômica e estimula ambiente favorável a negócios, conectividade e investimentos no setor de viagens

O recente avanço no acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul representa uma guinada estratégica nas relações econômicas entre os dois blocos e sinaliza uma nova fase para o turismo corporativo brasileiro. Embora os efeitos diretos no lazer ainda sejam graduais, o impacto no segmento de viagens de negócios tende a ser imediato e profundo.

Após mais de duas décadas de negociações, o tratado avança para fases decisivas de ratificação, projetando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com mais de 780 milhões de pessoas. Nesse cenário, o Brasil se posiciona como protagonista na atração de investimentos e no fortalecimento de conexões empresariais transatlânticas.

Ambiente de negócios estimula fluxo de executivos

O primeiro reflexo prático do acordo deve surgir no aumento das viagens corporativas. A perspectiva de crescimento nas trocas comerciais e na entrada de capitais europeus impulsiona a demanda por deslocamentos profissionais — reuniões, auditorias, negociações, missões comerciais e participação em feiras e congressos.

Centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, já consolidados como hubs de negócios, devem observar uma alta expressiva na procura por hotéis voltados ao público executivo, centros de convenções e serviços MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions). Esse movimento fortalece a cadeia produtiva do turismo corporativo e gera efeitos multiplicadores sobre a economia local.

Um dos pontos centrais do acordo é a criação de um ambiente mais previsível e transparente para investimentos, especialmente no setor de serviços. Isso abre espaço para a entrada de novas redes hoteleiras, joint ventures entre operadores turísticos brasileiros e europeus, e para o crescimento de startups voltadas à tecnologia de viagens.

A profissionalização e padronização da oferta turística tornam o Brasil mais competitivo frente a destinos globais, com potencial de captar eventos internacionais e rodadas de negócios em diversos setores da economia.

Conectividade aérea como vetor de expansão

A intensificação do comércio internacional pressiona por maior conectividade entre a América do Sul e a Europa. A tendência é de ampliação das rotas aéreas, com novas frequências em linhas já operadas, retomada de voos suspensos e abertura de novas conexões diretas.

Esse avanço reduz custos logísticos, facilita o deslocamento de executivos e amplia a atratividade do Brasil como destino de negócios. Além disso, estimula parcerias entre companhias aéreas e melhora a infraestrutura aeroportuária.

Embora o tratado não altere regras de vistos ou imigração, os efeitos indiretos devem alcançar também o turismo de lazer. O fortalecimento da economia, a geração de empregos e a circulação de pessoas criam um ambiente propício para o consumo de viagens e experiências culturais.

Destinos brasileiros com apelo natural e autenticidade — como Amazônia, Pantanal, litoral nordestino e cidades históricas — podem se beneficiar de um turista europeu que valoriza sustentabilidade, diversidade e experiências exclusivas.

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