Turismo de luxo entra em nova fase no Brasil

Relatório da Hyatt revela transformação no perfil do viajante de alto padrão e aponta o Brasil como mercado-chave na redefinição do luxo com propósito.

O turismo de luxo na América Latina atravessa um momento de transformação profunda — e o Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário. É o que revela o relatório Latin America’s Luxury Tourism Landscape Research Report, lançado pela Hyatt Inclusive Collection. O estudo, que abrange Brasil, México, Colômbia, Costa Rica e República Dominicana, aponta crescimento expressivo do setor e mudanças marcantes no comportamento do viajante de alta renda, com efeitos diretos sobre estratégias comerciais, investimento hoteleiro e desenvolvimento de destinos.

Segundo o levantamento, o turista brasileiro de maior valor é, majoritariamente, mulher entre 30 e 49 anos, que prioriza bem-estar, gastronomia e experiências culturais. Ela busca hospedagens 4 e 5 estrelas, atendimento personalizado e vivências exclusivas que combinem narrativa, emoção e autenticidade. Nesse novo paradigma, o luxo tradicional baseado apenas em produtos e serviços já não é suficiente — contar uma história única e gerar pertencimento passou a ser essencial.

Brasil: expansão com identidade própria

O estudo posiciona o Brasil como mercado promissor, ainda que em estágio de consolidação. Apesar de sua relevância econômica e riqueza natural e cultural, o país tem uma hotelaria de luxo ainda fragmentada — 60% da oferta está nas mãos de empreendimentos independentes. O modelo all-inclusive, comum em destinos como México e República Dominicana, segue pouco explorado no Brasil, o que abre espaço para expansão de marcas internacionais e parcerias locais.

Destinos como Pantanal, Amazônia, Maranhão e Foz do Iguaçu despontam com alta rentabilidade e maior taxa de ocupação em hotéis de alto padrão, superando inclusive resorts de praia. Dados da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) reforçam essa tendência, que aponta para uma valorização crescente de destinos sustentáveis e de conexão com a natureza.

Entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil recebeu 7,68 milhões de turistas internacionais, superando todo o volume de 2024 e registrando recorde histórico. Esse movimento tem sustentado a ocupação em resorts e pousadas de luxo fora da alta temporada, um indicativo de amadurecimento da demanda por experiências diferenciadas ao longo do ano.

A perspectiva para 2026 é de continuidade dessa valorização, com aumento de diária média e novos projetos sendo viabilizados por meio de investimento estrangeiro direto — área em que o Brasil segue como líder regional.

A sustentabilidade deixou de ser um extra e se tornou um critério decisivo. O relatório aponta que 64% dos hotéis de luxo e 80% dos operadores turísticos na América Latina já adotam práticas sustentáveis com envolvimento comunitário. Para o novo perfil de hóspede, importa saber como a operação hoteleira beneficia o entorno e contribui para o desenvolvimento social e ambiental local.

Esses fatores influenciam diretamente o posicionamento de marca, o design de experiências e até a viabilidade de novos empreendimentos. O Nordeste brasileiro, por exemplo, aparece como nova fronteira de crescimento, com avanços regulatórios e interesse de grandes redes internacionais.

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