Demanda das companhias latino-americanas avançou 7,1% na comparação anual, acima das demais regiões. No Brasil, o mercado doméstico cresceu 6%, enquanto o tráfego aéreo global ficou praticamente estável.
O transporte aéreo mundial registrou crescimento praticamente nulo em julho de 2026, em meio à desaceleração de mercados importantes e aos impactos das tensões geopolíticas. Segundo dados divulgados pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda global de passageiros, medida em passageiros-quilômetros pagos (RPK), aumentou apenas 0,2% em relação a julho de 2025.
O resultado, porém, esconde diferenças importantes entre as regiões. América Latina e Caribe apresentaram uma das expansões mais fortes do mês, enquanto Oriente Médio e América do Norte registraram quedas. Excluindo-se as companhias do Oriente Médio, a demanda aérea global teria crescido 1,2%.
A capacidade mundial, medida em assentos-quilômetros disponíveis (ASK), avançou 0,3% na comparação anual. A taxa média de ocupação dos voos ficou em 85,2%, praticamente estável, com recuo de 0,1 ponto percentual.
América Latina se destaca no mercado internacional
Entre as companhias latino-americanas, o desempenho foi significativamente superior à média mundial. No mercado internacional, a demanda cresceu 7,1% em relação a julho de 2025, enquanto a capacidade aumentou 7,2%.
A taxa de ocupação ficou em 85,7%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo do nível observado um ano antes.
Considerando conjuntamente voos domésticos e internacionais, a região da América Latina e Caribe apresentou alta de 6,1% no tráfego de passageiros, acompanhada por uma expansão de 6,6% da capacidade. O fator de ocupação atingiu 85,3%.
O desempenho colocou a região à frente de mercados tradicionalmente maiores, como Europa, que cresceu 2,1% no tráfego total, e Ásia-Pacífico, com avanço de 1%.
Brasil cresce 6% no mercado doméstico
O mercado brasileiro também aparece entre os destaques do levantamento da IATA. A demanda por voos domésticos no Brasil avançou 6% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A capacidade cresceu ainda mais, 8%, o que levou a uma redução de 1,5 ponto percentual na taxa de ocupação, que ficou em 84,1%.
O resultado brasileiro ficou acima do desempenho médio do mercado doméstico mundial, que cresceu apenas 0,6% no período.
Entre os seis grandes mercados domésticos acompanhados individualmente pela IATA, somente Brasil, China e Japão registraram aumento da demanda. A China cresceu 5,3% e o Japão, 0,9%.
Em sentido contrário, a Índia apresentou retração de 6,3%, enquanto Estados Unidos e Austrália tiveram quedas de 0,5%.
Mercado internacional sente impacto do Oriente Médio
No conjunto do mercado internacional, a demanda mundial caiu 0,1% em julho, enquanto a capacidade aumentou 0,3%. O fator de ocupação ficou em 85,2%, 0,3 ponto percentual abaixo de julho de 2025.
O resultado foi fortemente influenciado pelo Oriente Médio. As companhias da região registraram queda de 9,5% na demanda internacional, acompanhada por redução de 5,8% na capacidade. A taxa de ocupação caiu 3,3 pontos percentuais, para 80,9%.
Ainda assim, a IATA observou que a retração vem perdendo intensidade depois das quedas de dois dígitos registradas anteriormente no ano.
Na América do Norte, a demanda internacional caiu 2,3%, com redução equivalente de 2,3% da capacidade. O fator de ocupação permaneceu estável em 88,2%.
O principal corredor transatlântico também perdeu força: o tráfego caiu 2,2%, com retrações especialmente relevantes nas viagens envolvendo Reino Unido, França e Espanha.
Europa cresce e rota Europa-Ásia avança 12,1%
As companhias europeias registraram aumento de 3,1% na demanda internacional, enquanto a capacidade cresceu 3,2%. A taxa de ocupação chegou a 87,1%, praticamente estável frente ao ano anterior.
Um dos dados mais expressivos do mês veio das rotas entre Europa e Ásia. O tráfego nesse corredor aumentou 12,1%, constituindo a maior expansão entre as principais ligações internacionais monitoradas pela IATA.
As companhias da Ásia-Pacífico, entretanto, tiveram queda de 0,7% na demanda internacional. A capacidade foi reduzida em 1,7%, o que permitiu elevar a taxa de ocupação em 0,9 ponto percentual, para 84,5%.
Na África, a demanda internacional cresceu 6,4%, mas a expansão de 9% na capacidade pressionou a ocupação, que caiu 1,8 ponto percentual e ficou em 74,1%.
Companhias mantêm confiança para o fim do ano
Apesar do fraco resultado global de julho, a IATA considera que a temporada de verão no Hemisfério Norte apresenta um cenário majoritariamente positivo para a aviação. “O crescimento geral de 0,2% em julho foi alcançado apesar das quedas coletivas, na comparação anual, das companhias da América do Norte e do Oriente Médio”, afirmou Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA.
Segundo ela, o tráfego através dos grandes hubs do Golfo continua em trajetória de recuperação. Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta custos elevados de combustível, incerteza econômica e tensões geopolíticas.
Mesmo nesse cenário, as companhias aéreas seguem sinalizando confiança na demanda para os últimos meses do ano. De acordo com a IATA, a capacidade global prevista para setembro aponta para uma expansão próxima de 3% na oferta de assentos.




