Levantamento do Mastercard Economics Institute mostra que o gasto dos visitantes estrangeiros no país vai além da hospedagem e revela diferenças relevantes conforme o mercado emissor.
O turismo internacional no Brasil vive uma fase em que não basta medir apenas quantos visitantes chegam ao país. O novo desafio para destinos, empresas e gestores públicos é entender como esses viajantes gastam, que tipo de experiência valorizam e quais setores da economia local são mais impactados por cada mercado emissor.
Um levantamento do Mastercard Economics Institute, divulgado no Travel Report 2026, mostra que os turistas estrangeiros destinam 27,1% de seus gastos no Brasil a restaurantes e outros 2,4% a bares. Juntas, essas duas categorias representam cerca de 29,5% do gasto turístico total, acima dos 17,8% direcionados à hospedagem.
O dado reforça uma mudança importante na leitura do turismo receptivo brasileiro. O valor econômico da visita não está apenas na diária de hotel, mas também no que o viajante consome ao circular pelo destino: gastronomia, comércio, mercados, eventos, entretenimento, serviços e experiências locais.
As diferenças por nacionalidade são expressivas. Segundo o estudo, os turistas argentinos apresentam a maior fatia de gastos no comércio varejista, com 36,9% do orçamento destinado a compras. Já os britânicos concentram a maior participação em restaurantes, com 33,7%. Os chilenos lideram o gasto em experiências ao vivo, com 7,3%, enquanto os norte-americanos se destacam pela participação de 20% em supermercados e mercearias.
Para o setor turístico brasileiro, esse recorte abre espaço para estratégias mais precisas de promoção internacional. Mercados próximos, como Argentina e Chile, podem responder melhor a campanhas associadas a compras, eventos, shows, gastronomia e escapadas urbanas. Já visitantes de longa distância, como os do Reino Unido, parecem valorizar fortemente a experiência gastronômica, o que reforça o potencial de destinos com identidade culinária consolidada.
A leitura também é relevante para cidades que combinam turismo de lazer, negócios e cultura. Restaurantes, bares, centros comerciais, mercados, casas de espetáculo e operadores de experiências passam a ocupar papel estratégico na disputa por visitantes de maior valor agregado.
O cenário ocorre em um momento positivo para o turismo receptivo brasileiro. De acordo com a Embratur, o turismo internacional movimentou US$ 4,8 bilhões no Brasil nos primeiros cinco meses de 2026, resultado que reforça a importância da entrada de divisas gerada pelos visitantes estrangeiros.



