Com sedes distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá, o torneio deve aumentar a complexidade logística para torcedores latino-americanos. Um relatório da Global Guardian destaca vistos, seguros, golpes digitais e crime oportunista como pontos-chave a antecipar.
Para a América Latina, a Copa do Mundo da FIFA 2026 não será apenas uma história de futebol: também será, muito provavelmente, o maior desafio de planejamento de viagens esportivas das últimas décadas. O torneio acontece de 11 de junho a 19 de julho de 2026 e, pela primeira vez, será coorganizado por três países — Estados Unidos, México e Canadá —, com 48 seleções, 104 partidas e 16 cidades-sede em diferentes fusos horários.
Essa geografia “continental” tem uma consequência direta para os viajantes da região: o roteiro do torcedor pode não ficar “amarrado” desde o início. A Global Guardian alerta que, embora os jogos da fase de grupos estejam definidos, ainda é impossível saber quais seleções avançarão e onde jogarão depois, o que pode exigir acompanhamento itinerante do próprio time e, em alguns casos, cruzar fronteiras entre os países organizadores.
Três países, três regras de entrada
Para os mercados latino-americanos, o primeiro filtro pode não ser o preço do ingresso, e sim a documentação. O relatório lembra que, para entrar nos Estados Unidos, salvo exceções, será necessário visto de visitante (B-1/B-2) ou estar habilitado no programa de isenção de visto via ESTA. No caso do Canadá, viajantes que não sejam cidadãos ou residentes permanentes precisarão de visto ou de uma autorização eletrônica (eTA), dependendo da nacionalidade.
O México aparece com um esquema mais flexível para muitos passaportes, mas com nuances: várias nacionalidades entram sem visto e outras podem solicitar uma autorização eletrônica (válida apenas para ingresso por via aérea).
No campo da segurança, a Global Guardian identifica o crime oportunista como o risco mais provável para os viajantes durante o torneio em todas as sedes. A lista inclui furtos, “arrastões” pontuais, roubos de objetos deixados sem vigilância e golpes simples, com o alerta de que até ocorrências não violentas podem escalar caso o viajante confronte o criminoso.
O documento reforça recomendações práticas: evitar ostentação, controlar pertences em áreas cheias e circular com atenção redobrada em pontos clássicos de grande concentração, como transporte público, fan fests e zonas de acesso e controle ao redor dos estádios.
Ciberfraudes e golpes com aparência “oficial”
A outra grande camada de risco não é física, mas digital. A Global Guardian projeta um volume de ciberataques superior ao de eventos anteriores, impulsionado, entre outros fatores, por ferramentas de invasão e fraude assistidas por inteligência artificial.
Nesse ponto, o relatório chama atenção para a compra de ingressos e para a clonagem de comunicações oficiais. A recomendação é usar apenas canais verificados para entradas, desconfiar de abordagens não solicitadas que peçam dados pessoais ou financeiros e evitar redes Wi-Fi públicas sem proteção. Em um evento de escala global, o risco não se limita ao golpe individual: também inclui campanhas de desinformação (inclusive conteúdos gerados por IA) capazes de provocar pânico ou desordem.
Para viajantes latino-americanos — e para os agentes que montam o pacote — há um capítulo que merece leitura cuidadosa: saúde e cobertura. A Global Guardian recomenda contratar seguro médico de viagem com cobertura mínima entre US$ 100 mil e US$ 250 mil, incluindo evacuação médica, e confirmar que a apólice vale para os três países do itinerário.
No México, o relatório aponta um detalhe operacional importante: hospitais privados frequentemente exigem pagamento antecipado ou comprovação de capacidade de pagamento e, em alguns casos, já houve retenção de passaportes como “garantia” até a quitação. Também afirma que seguros estrangeiros “geralmente” não são aceitos no momento do atendimento, o que pode levar o paciente a pagar do próprio bolso e pedir reembolso depois.
A Copa de 2026, por desenho, tende a empurrar o viajante para muitos deslocamentos: voos domésticos, trechos entre cidades, trocas de hotel e transfers em dias de jogo. O relatório recomenda reservar transporte e hospedagem com meses de antecedência, considerar aumentos fortes nas tarifas hoteleiras e priorizar bairros mais seguros, além de planejar impactos de bloqueios viários e zonas restritas no entorno dos estádios.


