O turismo de grupos nos EUA chega a 2026 com otimismo cauteloso

Um novo relatório da U.S. Travel Association descreve um mercado de viagens em grupo que resistiu à incerteza de 2025 e entra em 2026 com expectativas moderadamente positivas. A Copa do Mundo, o avanço do esporte juvenil e a virada para experiências presenciais aparecem como motores, enquanto custos e políticas seguem pressionando.

O mercado de viagens em grupo nos Estados Unidos — que vai de reuniões corporativas e convenções a viagens de incentivo, eventos esportivos e tours organizados — chega a 2026 com sinais mistos: não foi o “ano de euforia” que alguns haviam imaginado, mas também não perdeu fôlego.Essa é a leitura central do U.S. Group Travel Report: Strength Beneath the Surface, elaborado pela U.S. Travel Association, que define o período recente como uma etapa de resiliência, mais do que de recuperação acelerada, em um cenário marcado por pressões macroeconômicas, mudanças de políticas e planejamento mais cauteloso.

2025: melhor do que o clima, pior do que as expectativas

O relatório aponta que 2025 testou o otimismo inicial do segmento, afetado por incertezas geopolíticas e econômicas, mas com uma demanda subjacente que permaneceu firme. Esse contraste aparece nos indicadores: o documento mostra que o tráfego aéreo ligado ao segmento teve crescimento marginal e, ao mesmo tempo, as reservas de quartos para grupos recuaram levemente em relação ao ano anterior.

Em números: o volume aeroportuário cresceu 0,3% na comparação anual, enquanto as reservas de quartos para grupos caíram 1,6% e a ocupação de segunda a sexta recuou 1,4%. Segundo o relatório, não foi uma queda brusca, mas um alerta: a demanda existe, embora avance de forma desigual.

O texto também registra a mudança de humor de quem planeja. Apesar do ruído do contexto, o “Planner Sentiment” permaneceu alto: 92% esperava planejar ao menos a mesma quantidade de reuniões em 2025 que em 2024, enquanto 39% acreditava que a participação aumentaria. Em outras palavras, o motor dos eventos presenciais seguiu ligado, ainda que com crescimento mais limitado do que o previsto.

O freio: custos, inflação e regras do jogo

Se o apetite pelo presencial persiste, por que o mercado não acelera? O relatório destaca três frentes que pesam sobre o segmento: mudanças nas políticas de viagem, inflação/custos e políticas comerciais. O capítulo de riscos resume o quadro com dados concretos: para 2025, projetava-se alta de 12% nos custos de eventos; em 2024, houve aumento de 6,9% no preço médio das passagens aéreas na América do Norte e avanço de 3,3% na diária média de hotéis na região. Esse conjunto reduz margens e obriga a renegociar orçamentos, formatos e destinos.

No campo regulatório, o relatório descreve como a incerteza afeta especialmente o componente internacional. Ao analisar reações às políticas de viagem, aponta que a volatilidade em tarifas e regras pode estar reduzindo a demanda internacional e cita preocupações com restrições, “screening” (triagem) e estabilidade regulatória. O documento também registra que uma parcela alta de viajantes frequentes demonstra inquietação com controles mais rígidos. O resultado é planejamento mais conservador, janelas de reserva mais curtas e maior sensibilidade ao risco.

Grandes empresas recuam; segmentos emergentes avançam

Um dos achados relevantes do relatório é a divergência por porte. Em 2025, o gasto doméstico com viagens em grupo aparece acima dos níveis de 2019 (índice de 104%), enquanto o componente internacional segue abaixo (86%). Dentro desse cenário, empresas maiores mostraram maior probabilidade de cortar orçamentos: 20% nas grandes companhias, contra 6% nas pequenas.

Essa fragmentação abriu espaço para nichos. O relatório identifica mais atividade em cidades médias e em segmentos como eventos de tecnologia de porte intermediário e, com força crescente, esportes juvenis e amadores. Ele cita exemplos de cidades que ganham tração nesse mapa: Richmond, Charleston, Columbus, Boise e Nova Orleans.

Esporte juvenil: o “bright spot”

Se há um ponto particularmente positivo no relatório, é o youth sports travel. Esse segmento se torna cada vez mais importante na economia do turismo de grupos, impulsionado por torneios e competições que mobilizam famílias, equipes e comunidades. O documento aponta que 55% dos jovens participa de esportes organizados, acima dos 51% registrados em 2021, e argumenta que isso gera demanda constante para destinos que investem em infraestrutura e eventos.

2026: “otimismo cauteloso” e o fator Copa do Mundo

O relatório chama 2026 de “ponto de inflexão” para o group travel. A leitura é que, após um 2025 volátil, o segmento entra em um ano-chave com uma base mais disciplinada: menos excesso de confiança e mais foco em valor. Nas expectativas, afirma-se que os líderes veem 2026 com “otimismo cauteloso”, e aparecem resultados de pesquisas: 86% dos viajantes de negócios disse que fará mais viagens em grupo em 2026 (contra 73% no ano anterior) e 85% dos profissionais de reuniões declarou otimismo para 2026. Nesse mesmo bloco, uma frase resume a mudança de mentalidade: “A qualidade vai vencer a quantidade” na “nova normalidade” do segmento.

Nesse movimento, a Copa do Mundo de 2026 aparece como acelerador. O relatório sustenta que o torneio pode “reconfigurar” a trajetória do segmento e apresenta métricas para dimensionar o impacto: 1,24 milhão de visitantes internacionais, alto percentual de gastos em atividades turísticas e a distribuição do evento por 11 cidades-sede. A conclusão para destinos e operadores é direta: a Copa não vai apenas lotar estádios; também pode impulsionar estadias, tours e consumo em cidades anfitriãs e mercados conectados.

O sinal maior: do digital de volta ao presencial

Por fim, o relatório identifica um deslocamento cultural: mais valorização da experiência cara a cara e uma fadiga digital que estimula a “desconexão”. Também registra sinais de comportamento favoráveis ao turismo: viagens motivadas por eventos ao vivo, alta disposição de famílias para viajar e crescimento do consumo de experiências. A mensagem é que o desejo de se reunir, competir, participar e viajar continua presente; a discussão já não é se existe demanda, e sim como capturá-la em um ambiente em que custo e incerteza exigem produtos mais eficientes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conoce Más Destinos Hoteles Actualidad Tendencias Y  más...

© 2022 Gráfica y Servicios Americanos S.A.S.
Todos los derechos reservados.
Oficinas: Calle 99 # 10-57 y Carrera 12 # 79 -08
Oficina 604PBX (57) 601 300 18 38 | Bogotá – Colombia