Referentes da indústria se reuniram em Buenos Aires para debater a integração da inteligência artificial sem perder a essência humana. O evento destacou a necessidade de profissionalizar equipes e aprimorar a gestão de talentos diante da transformação digital.
Pessoas potencializadas pela IA marcaram as conclusões do primeiro Fórum Rèport realizado na Argentina, onde líderes da indústria turística se reuniram em Buenos Aires para discutir os desafios e oportunidades da transformação digital no setor.
O primeiro Fórum Rèport foi realizado com a intenção de se consolidar como um espaço estratégico e disruptivo, voltado ao intercâmbio de ideias, ao debate e à atualização profissional dentro do ecossistema turístico nacional.
Realizado em 21 de abril de 2026, no Hotel Libertador em Buenos Aires, o evento teve como lema “O capital humano em tempos de IA: desafios, ferramentas e potencial de desenvolvimento para proporcionar uma experiência com impacto”. O encontro, organizado pela Rèport Travel Media, teve como objetivo central refletir sobre como integrar a inteligência artificial sem perder a essência humana, considerada o principal motor da indústria.



Turismo, comunicação e conhecimento
Verónica Patrón Sánchez, diretora comercial da Rèport, abriu o fórum expressando seu orgulho por trazer este ciclo para a Argentina após seu sucesso na Colômbia, com o objetivo de criar um espaço que inspire liderança, talento e inovação. Destacou que o propósito da editora é atuar como um veículo para a transferência de conhecimento entre os principais atores da indústria. Ao encerrar o evento, enfatizou a importância de não se apressar em investir em tecnologia sem contar com uma equipe com governança e uma estratégia clara. Além disso, ressaltou o trabalho colaborativo das equipes da Rèport na região — Argentina, Chile, Colômbia e México — para contribuir com o sistema turístico.
Daniel Scioli marcou presença institucional
Um dos momentos de destaque do Fórum foi a participação do Secretário de Turismo da Nação, Daniel Scioli, que destacou que o presidente Javier Milei definiu o turismo como um setor estratégico para a recuperação do país. Scioli enfatizou que a inteligência artificial não é uma concorrência, mas sim um complemento para potencializar a competitividade.
Entre os anúncios e projetos mencionados pelo Secretário de Turismo, destacam-se:
- Planejador de viagens do Visit Argentina: um projeto pioneiro na América Latina, com itinerários personalizados.
- Tina: a primeira agente de IA do Estado argentino, que interage com o turista internacional. Atualmente, agentes de IA já respondem por 80% das consultas do setor.
- Argentina Data Lab: uma aliança para obter dados de gastos em tempo real, com o objetivo de aprimorar a promoção turística.
- Capacitação: trabalho com 400 gestores públicos de todo o país no uso de ferramentas digitais.
- Destinos turísticos inteligentes: cada vez mais municípios e prefeitos compreendem a oportunidade de desenvolvimento que o turismo oferece. O país avança na construção de uma estratégia nacional de destinos turísticos inteligentes, que será apresentada em Mendoza.



Inteligência Artificial e Capital Humano
Esta sessão, em formato de Master Class, foi conduzida por Pamela Resnik, consultora especializada em Turismo e Capital Humano, e Leandro Tártara, gerente comercial da Piamonte.
Os palestrantes enfatizaram que o futuro do turismo não depende apenas da tecnologia, mas da capacidade das empresas de formar equipes preparadas para trabalhar em conjunto com ela. Destacaram que a estratégia vencedora é estar “potencializado pela IA, mas guiado por pessoas”.
Para exemplificar o conceito de “Hospitalidade Irracional”, Tártara compartilhou o caso de uma colaboradora da Piamonte, Florencia, que, diante de uma crise de overbooking às duas da manhã, foi muito além de suas funções operacionais para resolver o problema, conseguindo fidelizar o cliente por meio de um vínculo humano que a IA apenas poderia simular.
Por sua vez, Resnik alertou sobre a gestão de talentos e destacou que as empresas precisam profissionalizar suas equipes em competências analíticas e de gestão, apontando que a desorganização interna é uma das principais causas de perda de talentos.



Radiografia do setor
Durante a Master Class, foram apresentados os resultados de uma pesquisa exclusiva realizada com colaboradores e executivos de empresas turísticas argentinas, revelando uma lacuna significativa em formação e gestão.
- Adoção tecnológica: 94% dos profissionais já utilizam IA em sua vida pessoal e profissional. Além disso, 87,5% das empresas já contam com alguma infraestrutura ou ferramenta vinculada à IA.
- Desafio da capacitação: embora 74% dos trabalhadores estejam se capacitando em IA por conta própria, apenas 12% desse treinamento é financiado pelas empresas, indicando que a profissionalização ainda não está institucionalizada.
- Retenção e motivação: 50% dos colaboradores estariam dispostos a deixar seus empregos devido à desorganização interna e à falta de processos claros.
- Lacuna de feedback: enquanto 100% dos entrevistados valorizam receber feedback, apenas 27% das empresas o oferecem de forma sistematizada, e 9% admitem nunca fornecê-lo.



Painel de líderes da indústria
Moderado por Erika Schamis (cofundadora da Hosting You), o painel analisou a implementação da inteligência artificial a partir de diferentes modelos de negócio.
- Pilar Lozano (CEO da Coris): destacou que o caminho rumo à IA começou com um mapeamento de processos para transformar tarefas repetitivas em valor estratégico, sob a premissa de que “o dado é o futuro”.
- Diego García (diretor executivo da CVC Corp Argentina): apresentou resultados concretos de eficiência operacional. Por meio da automação (RPA), o grupo conseguiu faturar 50% a mais com uma estrutura de pessoal otimizada, permitindo que os colaboradores migrem para funções de maior valor.
- Andrés Deyá (presidente da FAEVYT): ressaltou a capacidade de adaptação do agente de viagens, afirmando que a IA não é uma concorrente, mas uma ferramenta para acelerar processos administrativos.
- Marcelo Capdevila (presidente do Grupo GEA Latam): definiu o investimento em tecnologia como uma “corrida armamentista” necessária para distribuição e comunicação, com foco na captação e fidelização de clientes.
- María Eugenia Cueva (responsável comercial da Organfur): destacou que, em produtos complexos como cruzeiros, o aconselhamento humano é o diferencial que concretiza a venda, enquanto a IA otimiza a operação e personaliza a experiência a bordo.
- Karina Perticone (diretora executiva da Visit Buenos Aires): explicou o uso de IA e Big Data para analisar fluxos de passageiros e rotas aéreas, permitindo a criação de campanhas de marketing digital muito mais assertivas e rápidas.


Declarações
Alejandra Teich (Oasis Hotels & Resorts): “A inteligência artificial deve ser um apoio para melhorar processos e liberar mais tempo criativo”.
Anabella Collavino (Special Tours): “A inteligência artificial será nossa aliada em uma indústria absolutamente impactada por qualquer variável”.
Andrea Tosi (Caribe Mexicano): “Não devemos ter medo das novas tecnologias; são ferramentas que nos permitem otimizar o tempo”.
Andrés Deyá (FAEVYT): “A inteligência artificial não vem para substituir o agente de viagens, mas para complementar e facilitar os processos do dia a dia”.
Diego García (CVC Corp Argentina): “Acreditamos na profissionalização da indústria e nas novas tecnologias para tornar as viagens mais seguras e eficientes”.
Erika Schamis (Hosting You): “A inteligência artificial é realmente importante, especialmente quando vem acompanhada do capital humano, que é insubstituível”.
Lucas Ozuna (Europamundo Vacaciones): “Para alcançar resultados diferentes, é preciso fazer coisas diferentes”.
José Antonio Aguilera Hernández (Cuba): “Hoje, a inteligência artificial é uma base fundamental para ganhar velocidade e economizar tempo”.
Karina Perticone (Visit Buenos Aires): “A IA serve para potencializar, eliminar tarefas repetitivas e permitir crescer em outros aspectos”.
Leandro Tártara (Piamonte): “Não fazer nada é a pior estratégia; devemos estar potencializados pela IA, mas guiados por pessoas”.
Marcelo Capdevila (Grupo GEA Latam): “A IA é um tema que já precisa ser incorporado; não podemos esperar que nos surpreenda, precisamos ser pioneiros”.
María Eugenia Cueva (Organfur): “A inteligência artificial permite otimizar processos e ganhar eficiência, mas não substitui o valor do aconselhamento humano”.
Pamela Resnik (consultora especializada em Turismo e Capital Humano): “Os desafios atuais do setor vão além da incorporação de tecnologia e se concentram na profissionalização das equipes”.
Pilar Lozano (Grupo Coris Latam): “Buscamos automatizar não com a intenção de substituir recursos, mas de alcançar escalabilidade”.




