No marco da primeira edição do Brand USA Travel Week South America, realizada no Rio de Janeiro, o presidente e CEO da organização, Fred Dixon, apresentou um panorama ambicioso para o mercado brasileiro, o maior e mais estratégico da região.
Não foi por acaso que o Brand USA escolheu o Rio de Janeiro para lançar a primeira edição sul-americana de seu Travel Week. O Brasil é, de longe, o mercado mais importante da América do Sul para o turismo rumo aos Estados Unidos, e a escolha da cidade carioca como sede do evento também foi uma demonstração das prioridades estratégicas da organização. Fred Dixon, presidente e CEO do Brand USA, deixou claro desde o início: “Estamos há mais de 20 anos trabalhando na América do Sul e sempre é um prazer voltar. Mas desta vez é diferente. Estamos aqui para investir no crescimento.”
O evento reuniu jornalistas especializados em turismo e operadores de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru, além de cerca de 38 fornecedores norte-americanos entre destinos, empresas turísticas e atrações. O Brasil foi o país com maior representação midiática: nove dos quinze jornalistas presentes eram de veículos brasileiros, um dado que fala por si só do peso específico do mercado na estratégia regional do Brand USA.
O gigante que não para de crescer
Os números apresentados por Dixon durante o evento confirmam o lugar privilegiado que o Brasil ocupa no mapa do turismo para os Estados Unidos. O país é, com ampla diferença, o maior emissor da região e figura entre os dez mercados mais importantes do mundo para o destino norte-americano —o décimo a nível global, segundo os dados da organização. “É um mercado incrivelmente consistente”, destacou Dixon. “Ele vinha crescendo de maneira sustentada, e 2025 não foi exceção: teve um grande ano, e 2026 começou muito bem também.”
Na América do Sul, a região fechou 2025 como o terceiro maior mercado emissor de turistas para os Estados Unidos, com 5,4 milhões de visitantes e um gasto total de quase 20 bilhões de dólares por parte dos viajantes da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O Brasil representa uma parte majoritária desses números. O gasto médio por viajante de turismo em cada viagem foi de cerca de 2.971 dólares, embora no caso dos brasileiros —que tendem a ficar mais tempo e combinar múltiplos destinos— esse número geralmente seja superior.
Dixon ressaltou ainda que os Estados Unidos continuam sendo o destino hoteleiro mais aspiracional do mundo, um atributo que ressoa com força especial no mercado brasileiro. “Eles sabem que têm muitas opções hoje em dia. Continuar escolhendo os Estados Unidos não consideramos algo óbvio.”
Conectividade aérea: Brasil lidera o crescimento
Um dos dados mais celebrados por Dixon durante sua apresentação foi o desempenho da conectividade aérea entre o Brasil e os Estados Unidos. Em um contexto já positivo —mais de 790 voos semanais sem escalas entre a América do Sul e os Estados Unidos, com uma capacidade total de assentos que cresceu 5% em relação ao ano anterior—, o Brasil se destacou como o mercado com melhor desempenho de toda a região: a capacidade de assentos nas rotas entre os dois países cresceu 9% em 2025, a maior cifra entre todos os mercados sul-americanos.
Além disso, Dixon mencionou uma novidade recente com entusiasmo: o lançamento de um novo voo direto da Gol entre Rio de Janeiro e Nova York, com destino ao JFK, que se soma à rede de conexões já existentes a partir de São Paulo e outras cidades brasileiras. “É uma excelente notícia”, afirmou. “E o melhor é que ainda há margem para seguir crescendo.”
O executivo também destacou o papel da Copa Airlines, com seu hub no Panamá, que conecta 17 cidades dos Estados Unidos com destinos em toda a América do Sul, ampliando as opções para os viajantes de cidades brasileiras que não têm voo direto disponível. E para o futuro, ele antecipou que a incorporação de novas aeronaves de longo alcance ao mercado abrirá rotas que ainda não existem. “Esses aviões vão mudar o jogo. É um dos fatores que mais me entusiasma para os próximos anos.”
Vistos: o maior estoque da região
No que diz respeito ao acesso, o Brasil também lidera o ranking regional. Dos mais de 14 milhões de vistos ativos para visitar os Estados Unidos existentes hoje na América do Sul, a maior parte corresponde a cidadãos brasileiros. Dixon foi enfático ao responder perguntas do setor sobre possíveis mudanças na política migratória dos Estados Unidos: “Houve muitas conversas, mas nada mudou. As condições de acesso continuam as mesmas.” Os vistos B1 e B2, válidos por 10 anos, continuam sendo o instrumento central para o viajante brasileiro.
O recado de boas-vindas, insistiu Dixon, é firme e unânime por parte de toda a indústria turística norte-americana. “Queremos que venham. Isso não mudou e não vai mudar.”
Um calendário de feriados que joga a favor
Um dos pontos que surgiram nas conversas com o setor foi o calendário de feriados no Brasil, que com seus 20 dias festivos anuais está entre os mais generosos do mundo nesse quesito. Para o Brand USA e seus parceiros, esse dado não é irrelevante: os feriados longos e os “pontes” são janelas naturais para viagens internacionais, e o mercado brasileiro aproveita essas oportunidades de maneira consistente. Dixon o mencionou como um dos fatores estruturais que explicam a solidez do mercado e seu potencial de crescimento sustentado.
Além de Miami e Orlando: a diversificação como estratégia
Como em outros mercados da região, um dos desafios centrais que o Brand USA enfrenta com o viajante brasileiro é como expandir os itinerários além dos destinos clássicos. Flórida —com Miami e Orlando à frente— e Nova York concentram historicamente a maior parte dos fluxos do Brasil. Esses destinos, reconheceu Dixon, são e continuarão sendo “a base, o ponto de partida”. Mas há um mundo além disso.
A boa notícia é que os dados mostram que o viajante sul-americano —e o brasileiro não é exceção— já está visitando em média entre duas e três cidades por viagem. “Isso nos diz que há uma real abertura para os itinerários multidestino”, afirmou Dixon. “E aí está a oportunidade.”
Nesse contexto, a Copa do Mundo de Futebol 2026 aparece como o grande catalisador para a diversificação geográfica. O torneio será disputado em 11 cidades dos Estados Unidos —de Seattle e Los Angeles no oeste até Boston, Nova York e Miami no leste, passando por Dallas, Atlanta, Kansas City, San Francisco, Filadélfia e Houston—, o que obrigará os viajantes brasileiros que quiserem acompanhar a seleção a explorar destinos que talvez nunca tivessem considerado. “A Copa vai nos ajudar a colocar no mapa cidades que o viajante brasileiro ainda não conhece”, disse Dixon. “É uma oportunidade única.”
Eventos, shows e esportes: os novos motores do turismo
Dixon identificou os eventos ao vivo —esportivos, musicais e culturais— como um dos grandes motores de crescimento para os próximos anos, com impacto direto na diversificação de destinos. Mencionou o efeito que Taylor Swift gerou em cidades dos Estados Unidos, as residências de artistas em Las Vegas e Nova York, e o que Bad Bunny conseguiu com Porto Rico como exemplos de como a música e o entretenimento podem redirecionar fluxos turísticos de forma significativa. Para o mercado brasileiro, com sua enorme paixão por música e esporte, esse argumento tem uma ressonância especial.
A Copa também se insere no que Dixon chamou de “mega década do esporte” para os Estados Unidos: após o futebol em 2026, virão os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, a Copa do Mundo de Rugby masculina e feminina, e outros grandes eventos que manterão o país no centro da cena esportiva mundial por anos. “Para o viajante brasileiro, que vive o esporte com essa intensidade, isso é um convite permanente”, refletiu.
“America the Beautiful”: a campanha que fala português
Todo esse esforço de promoção é canalizado sob a nova plataforma de marca que o Brand USA lançou em outubro do ano passado: “America the Beautiful”, inspirada em uma das canções mais icônicas do imaginário norte-americano. A campanha visa se conectar emocionalmente com viajantes de alto impacto por meio de imagens de grande poder visual e uma narrativa centrada em experiências, pessoas e lugares dos sonhos.
No Brasil, a campanha tem uma presença especialmente intensa. Dixon apresentou durante o evento as execuções em formato de mídia pública digital que estão sendo distribuídas nas principais cidades do país, incluindo ativações especiais no aeroporto doméstico Santos Dumont do Rio de Janeiro e uma série de carros com as cores da campanha circulando pela cidade durante o Travel Week. Os anúncios foram produzidos especificamente em português —um deles, centrado no eixo da família, foi o escolhido por Dixon para exibir durante sua apresentação—, com um trabalho de adaptação cultural que busca ressoar com os valores e aspirações do público brasileiro.
O site americathebeautiful.com —que também redireciona a partir de visitusa.com— integra ainda uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida junto à plataforma MindTrip, que ajuda os viajantes a explorar destinos e inspirações de maneira personalizada. “Recomendo que visitem”, disse Dixon. “Há muito conteúdo pensado para este mercado.”
O compromisso é anual
Dixon foi explícito em relação às intenções de longo prazo do Brand USA na região: o Travel Week South America não é uma ação pontual, mas o início de um programa que a organização se comprometeu a manter ano após ano. “Queremos que isso cresça”, disse, lembrando que o evento equivalente em Londres começou com um tamanho similar ao do Rio e hoje atrai quase mil parceiros. “Nosso objetivo é ter uma edição anual aqui.”
Para o Brasil em particular, a mensagem foi de investimento sustentado e grandes expectativas. “É o maior mercado da região, um dos dez mais importantes do mundo para nós, e vem crescendo de maneira consistente”, resumiu Dixon. “A razão pela qual estamos aqui —nesta cidade, neste evento— é uma só: acreditamos neste mercado. E estamos aqui para seguir crescendo juntos”.

