Estudo desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com a Unesco vai mapear atrativos, infraestrutura, fluxos e oportunidades em áreas próximas aos países vizinhos, com atenção especial às regiões Norte e Sul.
O Brasil está preparando um diagnóstico e um plano de ação para fortalecer o turismo em suas regiões de fronteira. A iniciativa, conduzida pelo Ministério do Turismo (MTur) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), pretende identificar potencialidades, desafios e oportunidades para ampliar a circulação de visitantes e estimular a atividade turística nessas áreas.
O estudo deverá analisar aspectos como infraestrutura, conectividade, governança, promoção turística, oferta de atrativos e serviços, além dos fluxos de visitantes. A proposta também busca ampliar as oportunidades para comunidades tradicionais, empreendedores e demais integrantes da cadeia produtiva do turismo que atuam nas regiões fronteiriças.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a proximidade com outros países pode ser utilizada para ampliar a conectividade e facilitar a circulação de turistas. A estratégia, de acordo com o ministro, passa por identificar as vocações específicas de cada estado e região e compreender como as fronteiras podem contribuir para o desenvolvimento dos destinos.
Fronteiras do Norte ao Sul
Na Região Norte, o levantamento contempla áreas do Amapá e do Pará relacionadas às fronteiras com o Suriname e a Guiana Francesa. Também estão previstas análises no Acre e em Rondônia, que fazem fronteira com Peru e Bolívia.
O projeto inclui ainda áreas do Sul do país, especialmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que mantêm conexões fronteiriças com países integrantes do Mercosul. Equipes técnicas do Ministério do Turismo serão enviadas a Rondônia, enquanto o trabalho deverá abranger diferentes territórios ao longo do desenvolvimento do diagnóstico.
Além de identificar atrativos e equipamentos turísticos, o estudo deverá mapear iniciativas de cooperação internacional já existentes. A intenção é construir uma abordagem integrada, considerando as características econômicas, sociais, culturais e territoriais de cada região.
No caso amazônico, a dimensão internacional das fronteiras ganha particular relevância. A região reúne diferentes culturas, paisagens e formas de circulação entre países, criando possibilidades para roteiros que ultrapassem os limites nacionais. A fronteira entre Tabatinga, no Amazonas, e Leticia, na Colômbia, por exemplo, é um dos pontos que simbolizam essa integração territorial na Amazônia.
A estratégia também deverá considerar a preservação ambiental, a valorização das culturas locais e a participação das comunidades nos processos de desenvolvimento turístico. Dessa forma, o turismo de fronteira é tratado não apenas como uma oportunidade de atração de visitantes, mas também como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e de cooperação entre territórios.



