A Anac suspendeu quatro operadoras e interrompeu a atividade de nove aeronaves após uma força-tarefa de fiscalização. A Prefeitura do Rio também retirou cinco empresas do heliponto da Lagoa. A medida não representa, porém, a suspensão total dos passeios turísticos de helicóptero na cidade.
Os tradicionais voos panorâmicos sobre o Rio de Janeiro entraram em uma nova fase de fiscalização após uma sequência de acidentes com helicópteros e a identificação de irregularidades em empresas que atuam no segmento turístico. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu quatro operadoras e determinou a interdição ou suspensão das operações de nove aeronaves, enquanto a Prefeitura do Rio restringiu o uso comercial do heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas.
As medidas foram anunciadas em 18 de agosto, depois de uma operação intensificada pela Anac. Atualmente, 12 empresas autorizadas pela agência operam 46 aeronaves em voos panorâmicos no Rio. Na última semana, nove dessas companhias e 18 helicópteros passaram por fiscalização. Quatro empresas foram suspensas e metade das aeronaves inspecionadas sofreu algum tipo de restrição operacional.
As empresas suspensas são VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. Segundo a imprensa brasileira, a fiscalização encontrou, entre outras irregularidades, casos de adulteração dos registros das horas efetivamente voadas, informação diretamente relacionada aos intervalos de manutenção das aeronaves.
A intensificação das inspeções ocorreu após o acidente de 8 de agosto, quando um helicóptero utilizado em um passeio turístico caiu em uma área de mata próxima à Vista Chinesa. O piloto e três turistas colombianas da mesma família morreram. A aeronave era operada pela VRP e havia decolado de Jacarepaguá para um voo panorâmico pela região do Cristo Redentor. As causas da queda continuam sob investigação do Cenipa e das autoridades policiais.
O episódio aumentou a preocupação com uma atividade que se tornou uma das experiências turísticas oferecidas aos visitantes da capital fluminense. Três acidentes envolvendo helicópteros ocorreram na cidade em um período de oito meses, com 13 mortes; em junho, uma colisão entre duas aeronaves na Barra da Tijuca havia provocado seis mortes.
Após o acidente de agosto, o prefeito Eduardo Cavaliere chegou a solicitar à Anac a possibilidade de uma interrupção temporária dos passeios, por uma ou duas semanas, para ampliar a fiscalização de aeronaves, operadores e helipontos. A agência optou por realizar inspeções e suspender individualmente as empresas e equipamentos nos quais foram identificados problemas, em vez de interromper toda a atividade.
A Prefeitura do Rio adotou paralelamente medidas relacionadas ao heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos pontos utilizados pelos passeios aéreos.
O município rescindiu os termos de compromisso mantidos com cinco empresas: Be Faster Serviços Aéreos, Gabriel G. Aredes e Piloto Padrão Táxi Aéreo e Serviços de Manutenção Aeronáutica, Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos, Nobre Turismo Aéreo e Infinity Serviços Aéreos Especializados. Desde o início desta semana, essas companhias não podem mais operar no equipamento municipal.
A Prefeitura esclareceu que a Helisul Táxi Aéreo continua sendo a única empresa autorizada pelo município a comercializar voos panorâmicos a partir do heliponto da Lagoa. As demais companhias possuíam termos que permitiam pousos e decolagens, mas não a comercialização de passeios no local. Em 2025, o heliponto registrava em média entre quatro e seis voos panorâmicos por dia.



