O fundador de Inhotim prepara um novo complexo cultural de 126 hectares em Brumadinho, com mais de 20 galerias e pavilhões, parque botânico, esculturas ao ar livre e um centro comunitário.
Brumadinho deverá ganhar, a partir de 2027, um segundo grande complexo dedicado à arte contemporânea e à integração entre cultura e paisagem. Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim, anunciou oficialmente a criação do Museu Bernardo Paz, empreendimento que está sendo implantado em uma área rural de 126 hectares, vizinha ao museu e jardim botânico que ele criou há duas décadas.
O novo projeto será desenvolvido em etapas. A previsão é realizar em setembro de 2027 uma pré-inauguração dos primeiros pavilhões e instalações, enquanto outras áreas serão incorporadas posteriormente. A instituição terá mais de 20 galerias e pavilhões, obras especialmente encomendadas para espaços externos, esculturas de grandes dimensões e um amplo projeto paisagístico.
Embora a proximidade e a proposta inevitavelmente remetam a Inhotim, as duas instituições serão independentes. O Museu Bernardo Paz terá governança, financiamento, administração e programação próprios. Inhotim, por sua vez, é administrado desde 2022 por uma associação sem fins lucrativos, depois que Paz doou à instituição o patrimônio cultural formado por terrenos, galerias e centenas de obras.
A escala é um dos aspectos que mais chamam a atenção no novo empreendimento. Os 126 hectares ocupam uma região de morros e vales junto à Reserva Particular do Patrimônio Natural Inhotim (RPPN Inhotim) e à Área de Proteção Ambiental Paz (APA Paz).
O projeto prevê inicialmente mais de 20 galerias e pavilhões. Também está em desenvolvimento um edifício de aproximadamente 2.500 metros quadrados para exposições temporárias e rotativas da coleção, além de obras de grandes dimensões destinadas a permanecer de forma permanente na paisagem.
A coleção particular de Bernardo Paz reúne cerca de 3 mil obras de arte contemporânea, produzidas por artistas de diferentes países, gerações e linguagens. Parte desse acervo servirá de base para a programação do futuro museu, acompanhada por novas encomendas e projetos concebidos especificamente para Brumadinho.
A primeira etapa já tem alguns dos artistas definidos. Serão criados pavilhões dedicados ao norte-americano Michael Heizer, à ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino, aos brasileiros Sonia Gomes, Pedro Moraleida e Laura Belém e à peruana Sandra Gamarra.
A fase inaugural incluirá ainda esculturas e ambientes de grande escala assinados por Frida Orupabo, da Noruega; Mario Garcia Torres, do México; Torkwase Dyson, dos Estados Unidos; e Giuseppe Penone, da Itália.
O pavilhão de Michael Heizer é atualmente um dos projetos mais avançados. Considerado uma figura fundamental da Land Art, movimento que surgiu nos Estados Unidos no final da década de 1960 e incorporou o próprio território e elementos naturais à produção artística, Heizer terá duas instalações de 1993: Displaced Replaced Mass #3 e Negative Wall Sculpture #1.
Assim como ocorreu na origem de Inhotim, a vegetação não funcionará simplesmente como cenário para as obras.
O projeto paisagístico prevê o plantio de 15 mil árvores e aproximadamente um milhão de arbustos, cactos e plantas com flores. O desenho está sendo conduzido pelo próprio Bernardo Paz e é inspirado na relação que o empresário e colecionador manteve com Roberto Burle Marx, um dos principais nomes do paisagismo brasileiro do século XX.




