Gustavo Feliciano afirmou que a redução da jornada pode impulsionar o turismo interno ao ampliar o tempo de descanso da população. Entidades do setor alertam para aumento de custos e risco de perda de competitividade, enquanto o governo fala em negociação e transição.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou que o possível fim da escala 6×1 pode beneficiar diretamente o setor ao ampliar o tempo livre dos trabalhadores para lazer e viagens. A declaração foi feita após a participação do ministro na Corrida da Câmara, em um momento em que o tema avança no Congresso e divide governo, empresariado e centrais sindicais.
“O turismo, que é a minha área, tem muito a crescer porque a gente pode ser um dos setores beneficiados com essa medida, tendo em vista que o trabalhador e a trabalhadora vão ter um dia a mais de descanso e lazer e, quem sabe assim, poder aproveitar o turismo e praticar mais turismo no nosso país”, disse Feliciano.
A fala ocorre em meio à discussão de uma proposta que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que o texto seja aprovado até o fim de maio e afirmou que a Casa deve construir um “texto de convergência” para viabilizar a transição. “Vamos sentar para fazer um texto de convergência… é uma matéria que pertence ao país”, declarou.
Do lado empresarial, a reação é de cautela e resistência. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o Sindepat e fóruns ligados a hotelaria e parques temáticos se posicionaram contra o fim da 6×1, argumentando que a mudança pode provocar impactos relevantes em uma cadeia intensiva em mão de obra, como hotéis, restaurantes, resorts e atrações. A preocupação central é com aumento de custos operacionais, possível redução de competitividade e até efeitos sobre empregos, especialmente em negócios que operam com turnos e alta demanda nos fins de semana.
Feliciano reconheceu que o tamanho do impacto só ficará claro quando o texto final estiver fechado e aprovado, e disse esperar um entendimento com o setor privado. “Só quando a gente tiver realmente o projeto inteiro, a gente vai ter o tamanho do impacto. A gente vai ver o que pode ser feito e assim buscar soluções para que esse impacto seja menor para nosso setor”, afirmou.
A discussão sobre a transição também expõe divergências dentro do próprio governo: enquanto há alas que defendem adoção imediata, a área econômica sinaliza espaço para calibragens em casos específicos, rejeitando compensações diretas às empresas. A oposição, por sua vez, fala em transição mais longa.




