Alta do combustível pressiona tarifas aéreas e afeta turismo e negócios

Alta do querosene de aviação, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pressiona tarifas e ameaça recuperação do setor de turismo no país.

O brasileiro que planejava viajar de avião neste ano terá que revisar o orçamento — e com urgência. Dados do IBGE mostram que as passagens aéreas subiram 17% em apenas dois meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O principal vilão é o querosene de aviação (QAV), cujo preço disparou em consequência do conflito no Oriente Médio, que empurrou o petróleo para além de US$ 100 o barril. Com isso, o combustível passou a responder por cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

Aumentos dessa magnitude superam em muito a variação mensal histórica do setor, que costuma oscilar entre 3% e 5%, e em um segmento com margens já apertadas, o repasse ao consumidor é praticamente inevitável. A pressão, porém, não vem só do combustível: a demanda aquecida por voos reduz o incentivo das empresas para oferecer tarifas mais competitivas, criando uma tempestade perfeita de alta de preços.

Os efeitos se espalham para além das salas de embarque. O encarecimento das passagens impacta diretamente o turismo, as viagens corporativas e o transporte de cargas, pressionando setores que dependem da logística aérea. Na prática, o resultado é uma cadeia de consequências que vai da redução da renda disponível das famílias ao adiamento de viagens, passando pelo aumento de custos para empresas e uma pressão adicional sobre a inflação — que o Brasil já enfrenta com dificuldade.

O governo federal anunciou um pacote de medidas para tentar conter a alta: redução de impostos sobre o QAV, linhas de crédito para as companhias via Fundo Nacional de Aviação Civil e mecanismos da Petrobras para diluir o impacto do combustível ao longo do tempo. As empresas também poderão adiar o pagamento de tarifas de navegação aérea. São medidas que sinalizam boa vontade, mas o próprio governo reconhece que o efeito é limitado enquanto o preço do petróleo e o câmbio seguirem pressionados por fatores externos.

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