Inflação, juros e fusão entre Gol e Azul podem impactar o crescimento das viagens de negócios nos próximos anos.
As viagens corporativas no Brasil atingiram um faturamento recorde de R$ 131 bilhões em 2024, um crescimento de 5,5% em relação a 2023, segundo levantamento da Fecomercio-SP apresentado durante o evento Lacte 20. No entanto, especialistas alertam para desafios no médio e longo prazo, como inflação, juros elevados e a fusão entre Gol e Azul, que pode afetar preços e oferta no setor aéreo.
Crescimento impulsionado pela economia, mas com riscos fiscais
De acordo com Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomercio-SP, o crescimento do turismo corporativo foi impulsionado por fatores como:
- Baixa taxa de desemprego (6,2%), permitindo maior circulação de renda.
- Crescimento do PIB entre 2% e 3%, favorecendo o setor de serviços.
- Aumento da demanda e reajuste de preços, com diárias de hotéis e passagens aéreas subindo mais de 10%.
No entanto, Dietze alertou que a expansão econômica em 2024 foi sustentada por estímulos fiscais do governo e aumento de gastos públicos, o que pode comprometer a sustentabilidade do crescimento no longo prazo. “Se não houver uma agenda de produtividade e redução de impostos, o avanço pode ser apenas um ‘fogo de palha’”, afirmou.
O impacto da inflação e dos custos no turismo corporativo
Além do crescimento do setor, o aumento dos preços dos serviços turísticos tem sido um desafio. Dados do IBGE e FOHB indicam que a hotelaria registrou um aumento médio de 10% nas tarifas em 2024. Outros setores também tiveram alta, como:
- Passagens aéreas, impactadas pela valorização do dólar e pelo aumento no preço do querosene de aviação (QAV), que subiu de R$ 3,50 para R$ 4,00 por litro.
- Locação de veículos e transporte rodoviário, pressionados pelo aumento da demanda.
Embora o câmbio tenha recuado para R$ 5,80, reduzindo a pressão sobre os preços das passagens aéreas, os valores seguem elevados, mas dentro do que o mercado já se acostumou.
Fusão entre Gol e Azul pode afetar oferta e preços
Outro ponto de preocupação no setor é a possível fusão entre as companhias aéreas Gol e Azul. Se concretizada, a operação pode alterar a oferta de voos e os preços das passagens, mas os efeitos só devem ser sentidos no médio e longo prazo.
Perspectivas para 2025
Para este ano, a Fecomercio-SP projeta um crescimento de 3,5%, com faturamento estimado em R$ 135 bilhões. No entanto, alguns desafios podem limitar esse avanço:
- Aumento dos juros, tornando o crédito para empresas mais caro.
- Dívida pública crescente, que pode elevar os riscos fiscais e pressionar a economia.
- Tributação elevada (28%) no setor de turismo, restringindo a expansão do mercado.
Segundo Dietze, o primeiro semestre de 2025 deve ser positivo, impulsionado pelo bom desempenho de 2024. No entanto, o segundo semestre pode desacelerar, conforme os efeitos da alta dos juros e ajustes fiscais forem sentidos.
“O turismo corporativo segue com boas perspectivas, mas é essencial garantir um crescimento sustentável para que o setor continue avançando nos próximos anos”, concluiu Dietze.