A região movimentou 43,1 milhões de passageiros em julho de 2026, alta de 0,7% na comparação anual. Brasil acrescentou 278 mil viajantes ao mercado e voltou ao crescimento depois da queda de junho. O desempenho intrarregional segue como principal motor da aviação latino-americana, enquanto as conexões com mercados de fora da região mostram maior fragilidade.
O tráfego aéreo da América Latina e do Caribe voltou ao terreno positivo em julho de 2026. Segundo o mais recente levantamento da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA), 43,1 milhões de passageiros viajaram de, para ou dentro da região durante o mês, um aumento de 0,7% em relação a julho de 2025. Em números absolutos, foram aproximadamente 310 mil viajantes adicionais.
O resultado representa uma recuperação em relação a junho, quando o movimento havia recuado 2,3%, embora o ritmo de expansão permaneça abaixo daquele registrado nos primeiros meses do ano.
Entre janeiro e julho, as companhias aéreas transportaram 283,1 milhões de passageiros na América Latina e Caribe, crescimento de 2% sobre o mesmo período de 2025. Isso significa cerca de 5,5 milhões de passageiros adicionais em sete meses.
Brasil volta ao crescimento
Brasil, Panamá e Colômbia deram algumas das principais contribuições para o avanço registrado em julho. O mercado brasileiro acrescentou 278 mil passageiros e cresceu 2,4%, retornando ao terreno positivo depois do recuo de junho.
A Colômbia também se recuperou, com alta de 2,8% e 144 mil passageiros adicionais. Já o Panamá manteve uma expansão muito mais acelerada: cresceu 14,5%, incorporando 270 mil viajantes e completando sete meses consecutivos com taxas de dois dígitos.
Somados, os três mercados acrescentaram 692 mil passageiros, compensando perdas registradas em outros países.
O México, um dos maiores mercados aéreos da região, também voltou a crescer depois de quatro meses consecutivos de retração. Foram 11,07 milhões de passageiros em julho, aumento de 0,7%.
A recuperação mexicana, entretanto, veio do mercado doméstico, que cresceu 5% e adicionou 289 mil viajantes. O tráfego internacional do país caiu 4%, pressionado principalmente pela ligação com os Estados Unidos.
Os números mostram uma diferença importante entre os diferentes tipos de tráfego. Os voos domésticos cresceram 1,3% em julho e continuaram representando a maior parcela do mercado, com 54,4% de todos os passageiros.
Já o tráfego internacional entre países da própria América Latina e Caribe avançou 2,6%. Em contraste, as viagens entre a região e mercados externos diminuíram 1%.
A tendência fica ainda mais clara no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, o tráfego intrarregional cresceu 4,9%, acima dos 2,6% do doméstico. O extrarregional permaneceu praticamente estável, com queda de 0,1%.
Entre os dez principais mercados internacionais de longa distância, oito apresentaram retração em julho. A rota México–Estados Unidos, a maior em volume, caiu 5,4%, com 207 mil passageiros a menos. República Dominicana–Estados Unidos recuou 2% e Brasil–Portugal, 1%.
Na direção oposta, Panamá–Estados Unidos avançou 10,4% e Bahamas–Estados Unidos, 6,6%.
Novas rotas no Brasil
Julho também trouxe seis conexões regulares que não operavam desde pelo menos janeiro de 2025. O Brasil concentrou metade das novas rotas, com Brasília–Uberlândia, Foz do Iguaçu–Porto Alegre e Curitiba–Lisboa.
Também começaram as operações Felipe Ángeles–Manzanillo, no México; Aruba–Barranquilla; e Maracaibo–Miami.
Apesar da retomada do crescimento, a ALTA chama atenção para a pressão dos custos sobre as empresas. Segundo a associação, o preço do combustível está 90% acima da média de 2025, fator que afeta diretamente as despesas operacionais das companhias.
Para Peter Cerdá, CEO da ALTA, a recuperação simultânea de mercados como Brasil, México e Colômbia e o avanço das viagens intrarregionais demonstram a capacidade de recuperação do setor. O executivo também ressaltou a importância das decisões regulatórias e tributárias para a competitividade da aviação, citando especificamente a reforma tributária brasileira.



