País deve registrar alta de 13,8% nos gastos com viagens de negócios e movimentar US$ 35,8 bilhões até o fim do ano, segundo a Global Business Travel Association. O desempenho coloca o Brasil na liderança de crescimento entre os 15 principais mercados do setor.
O Brasil deve apresentar em 2026 a maior taxa de crescimento dos gastos com viagens corporativas entre os 15 principais mercados do mundo. A expansão projetada é de 13,8%, quase o dobro do crescimento médio global previsto para o segmento, segundo a edição 2026 do Business Travel Index (BTI), relatório da Global Business Travel Association (GBTA).
De acordo com o estudo, os gastos com viagens de negócios no mercado brasileiro deverão chegar a US$ 35,8 bilhões até o final deste ano, mantendo o país na décima posição mundial em valores absolutos. A projeção coloca o Brasil à frente, em ritmo de expansão, de outros mercados que também aparecem entre os que mais avançam em 2026, como Austrália, com 11,5%; Coreia do Sul, com 11,3%; Turquia, com 10,9%; e Japão, com 10%.
Os números foram divulgados pela GBTA durante sua convenção anual, realizada em Chicago, nos Estados Unidos. O relatório deste ano analisa 72 países e 44 setores econômicos e incorpora informações de uma pesquisa com mais de 4,7 mil viajantes corporativos em 66 mercados.
O avanço brasileiro ocorre em um cenário de crescimento generalizado das viagens de negócios. A GBTA projeta que os gastos globais do segmento alcancem o recorde de US$ 1,71 trilhão em 2026, uma alta de 7,2% em relação ao ano anterior. Em 2025, o mercado havia movimentado aproximadamente US$ 1,59 trilhão, com crescimento de 8,4%.
Há, porém, uma diferença importante entre o crescimento dos gastos e o aumento efetivo das viagens. Pela primeira vez, o BTI também estimou o volume global de deslocamentos corporativos: deverão ser realizadas aproximadamente 1,84 bilhão de viagens de negócios em 2026, ante cerca de 1,82 bilhão em 2025.
Isso representa avanço de apenas 1,3% no número de viagens, significativamente inferior aos 7,2% projetados para as despesas. Segundo a GBTA, essa diferença mostra que o aumento dos custos de transporte e de outros serviços turísticos está contribuindo de maneira importante para o crescimento financeiro do mercado.
A entidade prevê que os gastos globais com viagens corporativas ultrapassem US$ 2 trilhões até 2030, embora essa marca deva ser atingida um ano mais tarde do que estimado anteriormente, devido à expectativa de moderação das taxas de crescimento após 2026.
No Brasil, a projeção de US$ 35,8 bilhões reforça o peso econômico de um segmento que movimenta uma extensa cadeia de serviços, incluindo companhias aéreas, hotéis, transportes terrestres, restaurantes, centros de convenções, organizadores de eventos e fornecedores especializados.
A Embratur destacou que o gasto médio diário de um viajante corporativo no levantamento global alcançou US$ 875, enquanto hospedagem e transporte aéreo respondem, juntos, por 52% das despesas realizadas durante essas viagens.
O relatório da GBTA identifica quatro grandes forças que condicionam o mercado de viagens corporativas em 2026: crescimento econômico ainda resiliente, investimentos empresariais, aumento da incerteza geopolítica e custos elevados de transporte.
Para as Américas, entretanto, o cenário é relativamente mais favorável. A entidade relaciona o desempenho da região ao crescimento econômico, aos investimentos em tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos, à alta dos preços da energia —fator apontado como favorável para o Brasil— e a uma maior estabilidade econômica na Argentina, que contribui para a recuperação latino-americana.
O contexto contrasta com outras regiões. A GBTA, por exemplo, projeta uma queda de 12,3% no volume de viagens corporativas no Oriente Médio em 2026, diante dos efeitos dos conflitos regionais sobre aviação, comércio, energia e conectividade internacional.



