Os gastos globais com viagens corporativas devem alcançar US$ 1,71 trilhão neste ano, 7,2% a mais do que em 2025. No entanto, o número de deslocamentos deve crescer apenas 1,3%, diferença que reflete o encarecimento do transporte, da hospedagem e de outros serviços.
Os gastos globais com viagens de negócios devem atingir o recorde de US$ 1,71 trilhão em 2026, segundo as novas projeções da Global Business Travel Association (GBTA). Embora o valor represente um crescimento anual de 7,2%, o número de viagens corporativas deve avançar em um ritmo muito menor, limitado pelos preços elevados do transporte e dos serviços turísticos.
O relatório estima que, ao longo de 2026, serão realizadas cerca de 1,84 bilhão de viagens de trabalho em todo o mundo. O volume representa um aumento de apenas 1,3% em relação aos 1,82 bilhão calculados para 2025, o equivalente a aproximadamente 25 milhões de deslocamentos adicionais.
A diferença entre as duas variáveis é um dos principais dados do estudo: os gastos crescerão mais de cinco vezes acima do volume de viagens. Isso indica que o recorde financeiro não se deve apenas ao fato de as empresas enviarem mais funcionários ao exterior ou a outras cidades, mas também ao aumento das tarifas aéreas, da hospedagem, dos traslados e de outros componentes de cada deslocamento.
A GBTA afirma que as empresas não abandonaram os encontros presenciais, mas se tornaram mais seletivas na hora de decidir quais viagens autorizar. As companhias avaliam com mais atenção o objetivo de cada deslocamento, os resultados esperados e o retorno sobre o investimento.
“As empresas não se afastaram das viagens, mas estão cada vez mais seletivas e focadas na produtividade”, afirmou Suzanne Neufang, diretora executiva da associação. Segundo ela, o crescimento mais moderado do número de deslocamentos exige uma análise mais precisa sobre onde, como e por que se viaja.
Em 2025, os gastos corporativos globais já haviam aumentado 8,4%, alcançando US$ 1,59 trilhão. O resultado superou a previsão anterior da GBTA, que projetava uma expansão de 6,6%, devido a uma atividade econômica mais forte do que o esperado, à redução de algumas tensões comerciais durante o segundo semestre e às oscilações cambiais.
A organização calcula que o mercado ultrapassará US$ 2 trilhões até 2030. Esse patamar deverá ser alcançado um ano mais tarde do que o previsto anteriormente, em razão de uma desaceleração do crescimento após 2026.
O cenário para a América Latina aparece relativamente favorável em comparação com outras regiões afetadas por conflitos e alterações na conectividade aérea. A GBTA considera que uma maior estabilidade econômica na Argentina e o impacto dos preços da energia sobre o Brasil contribuirão para o crescimento regional.
O Brasil também aparece entre os mercados de viagens corporativas com maior expansão prevista. Os gastos no país devem crescer 13,8% em 2026, o maior percentual entre as 15 principais economias incluídas no ranking mundial. Em seguida aparecem Austrália, com 11,5%; Coreia do Sul, com 11,3%; Turquia, com 10,9%; e Japão, com 10%.
Apesar do crescimento dos países emergentes, o mercado continua fortemente concentrado. As 15 principais economias responderão por cerca de US$ 1,43 trilhão, o equivalente a 84% dos gastos corporativos globais previstos para 2026.
Os Estados Unidos ocuparão o primeiro lugar, com US$ 423 bilhões, seguidos pela China, com US$ 403,7 bilhões. Juntos, os dois países concentrarão cerca de 48% de todos os recursos destinados às viagens de negócios.
Os investimentos em inteligência artificial, centros de dados, infraestrutura digital e adoção de novas tecnologias empresariais estão gerando uma necessidade maior de deslocamentos relacionados a projetos, instalação de equipamentos, reuniões com clientes e colaboração entre escritórios de diferentes países.
Ásia e Europa, por sua vez, concentraram os maiores volumes de viagens em 2025, com cerca de 600 milhões de deslocamentos cada uma. Na Europa, pesa especialmente a facilidade para realizar viagens regionais de avião e trem, enquanto a região da Ásia-Pacífico reúne uma elevada proporção da atividade corporativa mundial.
A projeção está condicionada pela incerteza geopolítica e pelo custo do transporte. O relatório identifica quatro fatores principais para 2026: a resiliência da economia global, os investimentos empresariais, as tensões internacionais e as tarifas elevadas.



