Minas Gerais amplia sua presença no turismo sobre trilhos

Passeios históricos, rotas panorâmicas e antigas estações revitalizadas ampliam o interesse por viagens em que o percurso faz parte da experiência. Com forte patrimônio ferroviário, Minas Gerais se destaca entre os destinos mais promissores do segmento.

O turismo ferroviário vem ganhando força no Brasil como alternativa para viajantes interessados em experiências mais tranquilas, culturais e conectadas à história dos destinos. Mais do que um simples meio de deslocamento, o trem passou a ocupar papel central em roteiros que combinam paisagens, gastronomia, patrimônio e memória.

Nesse cenário, Minas Gerais aparece em posição de destaque. A relação do estado com as ferrovias remonta ao desenvolvimento econômico de várias cidades, ao transporte de passageiros e ao escoamento das produções mineral e agrícola. Hoje, parte desse legado se transforma em atração turística.

O passeio de Maria-Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes é um dos exemplos mais conhecidos. O trajeto de 12 quilômetros é realizado em uma locomotiva a vapor do século XIX e conecta duas das principais cidades históricas mineiras. Durante a viagem, os passageiros acompanham paisagens rurais e elementos que ajudam a contar a formação ferroviária da região.

Além dos passeios sobre trilhos, antigas estações vêm sendo incorporadas a novos usos. Em diferentes municípios, esses espaços passaram a receber centros culturais, cafeterias, restaurantes, mercados, feiras e atividades voltadas à convivência e ao turismo.

A expansão do segmento acompanha a valorização do chamado slow travel, conceito associado a viagens realizadas com menos pressa e maior contato com a cultura local. Nesse tipo de experiência, o deslocamento deixa de ser apenas uma etapa necessária para chegar ao destino.

O ritmo mais lento permite observar a paisagem, atravessar pequenas comunidades e conhecer aspectos históricos que geralmente passam despercebidos em viagens rodoviárias ou aéreas.

Esse perfil atrai famílias, casais, grupos de amigos e visitantes estrangeiros interessados em experiências autênticas. Também beneficia as economias locais, uma vez que os roteiros podem aumentar o tempo de permanência dos turistas e movimentar hotéis, restaurantes, artesãos, guias e pequenos produtores.

Minas Gerais reúne ainda a vantagem de combinar o patrimônio ferroviário com cidades históricas, gastronomia regional, paisagens montanhosas e hospitalidade. Essa diversidade amplia as possibilidades de integração entre os passeios de trem e outros atrativos.

O turismo ferroviário brasileiro não se limita ao território mineiro. No Paraná, o Trem da Serra do Mar liga Curitiba a Morretes em um percurso de aproximadamente quatro horas, atravessando áreas preservadas de Mata Atlântica, pontes, viadutos e túneis históricos.

No Rio Grande do Sul, a Maria-Fumaça da Serra Gaúcha percorre cerca de 23 quilômetros entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. A experiência inclui apresentações culturais e degustações ligadas à produção de vinhos, espumantes e sucos.

Já o Trem Vitória-Minas mantém uma das poucas operações regulares de passageiros de longa distância do país. A rota conecta Cariacica, no Espírito Santo, a Belo Horizonte, em uma viagem de aproximadamente 13 horas pelo Vale do Rio Doce.

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