Rota inédita integra três unidades de conservação e atravessa Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado. Projeto aposta em geração de renda, inclusão produtiva e valorização cultural no Nordeste.
O Nordeste brasileiro ganhou um novo corredor de ecoturismo e conservação com o lançamento da trilha Caminhos da Ibiapaba, percurso de 180 quilômetros que conecta os estados do Piauí e do Ceará. A iniciativa integra três importantes áreas protegidas e passa a compor a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, política pública coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com o Ministério do Turismo.
Dividida em 13 trechos, a rota passa pelos municípios cearenses de Tianguá, Ubajara e Ibiapina, além das cidades piauienses de São João da Fronteira, Brasileira e Piracuruca. Ao longo do caminho, o visitante percorre áreas do Parque Nacional de Sete Cidades, do Parque Nacional de Ubajara e da Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba, formando um corredor ecológico estratégico entre os dois estados.
Primeiro percurso de longo curso na Caatinga
A Caminhos da Ibiapaba é o primeiro trajeto de longo curso a atravessar a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, além de trechos de Mata Atlântica e Cerrado. Totalmente sinalizada com as tradicionais pegadas amarelas e pretas, padrão nacional das trilhas de longo curso, a rota oferece segurança tanto para aventureiros independentes quanto para visitantes acompanhados por guias.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou que a trilha reforça o compromisso com um modelo que alia experiência, conservação e inclusão produtiva. Segundo ele, a iniciativa consolida o Nordeste como referência em turismo sustentável e desenvolvimento regional planejado.
Além da proposta ambiental, o projeto foi estruturado para gerar impacto econômico nas comunidades envolvidas. Operadores turísticos, condutores locais, meios de hospedagem e empreendimentos gastronômicos foram cadastrados como parceiros oficiais, ampliando a visibilidade dos negócios regionais.
O desenvolvimento da trilha contou com articulação entre governos locais e apoio do programa GEF Terrestre, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, com financiamento do Global Environment Facility. O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade atuou como parceiro executor, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora.
O desenho do percurso buscou recuperar antigos caminhos utilizados por tropeiros e caixeiros-viajantes, personagens que marcaram a história econômica da região. Mirantes naturais, cachoeiras e sítios arqueológicos compõem a experiência ao longo da travessia.
No Parque Nacional de Ubajara, quase 40 quilômetros foram reconfigurados para priorizar trajetos imersos na vegetação, reduzindo a travessia por rodovias e ampliando a segurança. Já em São João da Fronteira, no Piauí, a mobilização comunitária resultou na criação de uma trilha complementar, oferecendo opção de percurso mais curto entre carnaúbas e pinturas rupestres.
Para o ICMBio, a nova rota amplia a aproximação entre conservação ambiental e sociedade, permitindo que visitantes conheçam a biodiversidade e a cultura local ao mesmo tempo em que impulsiona a economia regional.


