Uma nova era do turismo está se aproximando. É o que aponta um estudo conjunto realizado pelo Google e a consultoria Alvarez & Marsal em nível global. A previsão é que o número de viagens internacionais dobre até o ano de 2050.
O relatório, intitulado “The Power of Travel Study”, também indica que o crescimento do setor será acompanhado por uma profunda transformação nos perfis dos viajantes, nos mercados emissores e nos modelos de negócios. Segundo o levantamento, até meados do século, cerca de 70% da população mundial poderá ser considerada potencialmente viajante, em comparação com apenas 30% no ano 2000. Essa mudança estrutural, impulsionada pelo crescimento da classe média em regiões emergentes e pelo aumento da acessibilidade às viagens, poderá gerar uma expansão econômica estimada em US$ 4,2 trilhões, especialmente em segmentos de alto valor e experiências especializadas.
Um dos dados centrais do estudo é que a região da Ásia-Pacífico superará a Europa como principal mercado emissor de turismo internacional até 2050. Estima-se que concentrará cerca de 40% das saídas globais, frente aos 30% registrados no início deste século. A Europa, por sua vez, continuará sendo o principal destino turístico do mundo, embora perca participação relativa diante do crescimento acelerado da Ásia, Oriente Médio e América Latina.
O relatório também destaca que o turismo doméstico seguirá como a base da indústria, concentrando mais de 90% das viagens em nível global, mesmo em um cenário de forte expansão das viagens internacionais.
Lucratividade, tecnologia e novos desafios
Além do crescimento em volume, o estudo alerta que o aumento da demanda não se traduzirá automaticamente em maior lucratividade para o setor. De acordo com a Alvarez & Marsal, a indústria enfrentará uma crescente “taxa de complexidade”, com uma demanda mais fragmentada, modelos operacionais mais sofisticados e investidores mais exigentes em termos de retorno e resiliência.
Nesse contexto, o relatório reforça a necessidade de avançar no uso de inteligência artificial avançada — em especial modelos de Agentic AI — para responder a um perfil de viajante que exigirá maior flexibilidade, personalização extrema e experiências adaptadas em tempo real.



