Turismo em 2027: viajar com menos pressa será uma das principais tendências

Relatório internacional identifica 15 tendências que devem transformar a maneira de viajar no próximo ano. Férias menos planejadas, bem-estar emocional, experiências culturais mais profundas e valorização das conexões humanas ganham protagonismo.

Durante anos, a indústria do turismo promoveu uma ideia de eficiência aplicada às férias, transformando-as em um período dedicado a conhecer mais destinos, aproveitar cada minuto, multiplicar as experiências e organizar roteiros capazes de incluir o maior número possível de atividades.

No entanto, essa lógica começa a encontrar resistência entre viajantes que buscam exatamente o contrário: menos compromissos, mais tempo livre e experiências que não sejam determinadas por uma agenda.

Essa é uma das principais conclusões do relatório 2027 Travel Trend Report, elaborado pela consultoria britânica Lemongrass Marketing, que identifica 15 tendências que poderão definir a evolução do turismo internacional no próximo ano.

O estudo aponta uma mudança de comportamento: em vez de viagens centradas no acúmulo de experiências, ganham espaço propostas que priorizam o bem-estar, as conexões pessoais e um conhecimento mais aprofundado dos destinos.

Férias “antiotimizadas”: viajar sem precisar fazer tudo

A tendência de maior destaque recebe o nome de anti-optimised holiday, expressão que pode ser traduzida como férias sem otimização. A proposta consiste em abandonar os roteiros sobrecarregados de atividades e recuperar o tempo disponível para descansar, improvisar ou simplesmente aproveitar um lugar.

Em vez de visitar várias cidades em poucos dias, os viajantes poderão optar por estadias mais longas em um único destino, passeios espontâneos e dias sem atividades previamente reservadas. Dessa forma, o descanso deixa de ser apenas um intervalo entre passeios e passa a ser um dos principais objetivos da viagem.

Mirjam Peternek McCartney, fundadora e CEO da Lemongrass Marketing, afirma que os consumidores começam a substituir a preocupação em aproveitar cada momento por uma pergunta diferente: como querem se sentir durante as férias. Em sua avaliação, não se trata de rejeitar a tecnologia ou o luxo, mas de redefinir o significado de aproveitar uma viagem.

Outra tendência importante é a transformação do turismo de bem-estar. O relatório prevê que os hotéis darão mais atenção à concepção integrada de ambientes que favoreçam o descanso, considerando iluminação, acústica, natureza, alimentação e movimento. A experiência de bem-estar deixaria, assim, de depender exclusivamente de tratamentos de spa ou atividades específicas.

Paralelamente, as tradicionais listas de atrações imperdíveis poderão perder espaço para experiências culturais mais profundas. Visitas acompanhadas por especialistas, oficinas com comunidades locais e propostas relacionadas à literatura, à história ou à arquitetura surgem como alternativas aos passeios superficiais.

A inteligência artificial também está modificando as expectativas. Embora facilite a busca de informações e o planejamento, a proliferação de imagens sintéticas e recomendações automatizadas aumenta o valor das experiências verificadas pessoalmente. Para agências e operadoras, o conhecimento direto dos destinos poderá se tornar um diferencial comercial.

Um luxo mais seletivo e novas formas de explorar

O estudo aponta que o turismo de luxo não necessariamente perderá demanda, mas poderá se orientar por decisões de consumo mais seletivas. Alguns viajantes preferirão economizar no transporte para investir em uma hospedagem excepcional, enquanto outros concentrarão seu orçamento em uma experiência singular, em vez de realizar várias viagens convencionais.

Entre as tendências complementares estão as viagens relacionadas à conservação ambiental, por meio de atividades de ciência cidadã, como o monitoramento da fauna, e as experiências que exigem participação ativa, esforço físico ou exploração independente.

Também ganham visibilidade os destinos associados a lendas, paisagens misteriosas e referências literárias, assim como as propostas que incorporam narrativas históricas sob perspectivas femininas.

Essas tendências criam oportunidades para a diversificação dos produtos turísticos na América Latina. Estadias prolongadas em pequenas localidades, roteiros culturais, turismo rural, experiências comunitárias e atividades em contato com a natureza podem atender a uma demanda cada vez mais interessada em viagens menos aceleradas.

O relatório também destaca o crescente interesse por destinos próximos, impulsionado pela busca por custos menores, flexibilidade e simplicidade logística. Nesse contexto, as viagens nacionais e regionais poderão ganhar ainda mais relevância.

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