Brasil lança campanha para o público latino-americano e reforça sua diversidade

Embratur chegou à 30ª edição da FIT com 30 coexpositores e uma estratégia voltada à diversificação da oferta brasileira para além dos destinos tradicionais.

O Brasil busca aprofundar sua relação turística com a Argentina em um cenário de crescimento das viagens e com uma estratégia voltada à ampliação do mapa de destinos escolhidos pelos argentinos. Na 30ª edição da FIT, a Embratur participou ao lado de 30 coexpositores e apresentou novos produtos, uma campanha com influenciadores latino-americanos e uma maior aposta na conectividade aérea a partir de diferentes províncias argentinas. Em entrevista à Rèport News, Saskia Lima de Castro analisou a evolução do mercado e as ações que o Brasil promove para manter esse crescimento.

Como vocês estão vivendo esta nova edição da FIT, ainda mais em um ano tão especial pelos 30 anos da feira?

Este ano estamos com 30 coexpositores de diferentes lugares do Brasil e temos uma presença importante. A Argentina é hoje nosso mercado mais estratégico e o que mais consome o Brasil, por isso, para nós, é muito importante estar aqui, mostrar nossos destinos consolidados e também aqueles que estamos começando a promover.

Como vem evoluindo o mercado argentino?

No ano passado recebemos 3,3 milhões de argentinos, o que foi um recorde histórico. Este ano continuamos crescendo: 2,3 milhões de argentinos já chegaram ao Brasil. Para nós, é muito importante que cada vez mais argentinos estejam visitando o Brasil. Além disso, o Brasil vem de um importante recorde turístico, com 9,3 milhões de visitantes internacionais no ano passado, e continuamos crescendo.

O que o Brasil está apresentou em termos de promoção durante a FIT?

Vamos lançar uma campanha diferente. Convidamos sete influenciadores de cinco mercados latino-americanos para conhecer destinos brasileiros. São cinco destinos, e eles vão mostrar, como em um diário de viagem, tudo o que viveram e experimentaram. Há destinos consolidados, como Foz do Iguaçu e Santa Catarina, mas também outros que queremos impulsionar, como o Ceará, com a Rota das Falésias; São Miguel dos Milagres, em Alagoas; e Porto Seguro e Trancoso, na Bahia.

Qual é o desafio de apresentar novos destinos em um mercado que já tem uma relação histórica com o Brasil?

Os argentinos conhecem o Brasil, mas sempre há mais para conhecer. Nosso desafio é trazer permanentemente novos produtos. Um exemplo é o Espírito Santo, que fica muito perto do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas ainda é pouco conhecido pelos argentinos. Tem praias, montanhas e muitas outras atividades que estamos apresentando agora.

Como a campanha será desenvolvida?

Terá presença em diferentes canais, entre eles o Uber, mas um dos eixos mais importantes será o digital. Além disso, sempre que lançamos uma campanha de crescimento turístico, ela vem acompanhada de conectividade. Não basta apenas promover um destino: precisamos que o viajante possa chegar até ele.

Como evoluiu a conectividade entre Argentina e Brasil?

A conectividade foi ampliada durante o último ano e atualmente temos um crescimento de 9,4%. O mais interessante é que cresceu muito a conectividade a partir do interior da Argentina para diferentes destinos brasileiros. Ela já não está tão concentrada em Buenos Aires. Temos conexões com Mendoza, Córdoba e Salta. Recentemente tivemos o lançamento do voo entre Salta e Rio de Janeiro, o que demonstra que existe uma demanda importante a partir do interior argentino.

Qual é o perfil atual do viajante argentino que visita o Brasil?

É claro que as praias continuam sendo o que os argentinos mais procuram, mas também vemos interesse por cultura, luxo, atividades de natureza e gastronomia. No Brasil temos praticamente tudo isso reunido. Por isso, é importante mostrar que a oferta vai muito além das praias. Também estamos trabalhando mais conjuntamente com os estados brasileiros, com uma promoção mais direcionada e estratégica.

Qual é a importância do segmento de reuniões e negócios?

É muito importante. Queremos que se conheça que o Brasil não é apenas lazer, mas que também está preparado e crescendo no mercado de negócios. O Brasil tem uma posição muito destacada nesse segmento.

Em um contexto internacional complexo, vocês veem uma oportunidade para o Brasil?

Não temos problemas neste momento e podemos mostrar o Brasil como um país preparado para receber visitantes. Com o Plano Brasis, por exemplo, investimos em diferentes mercados e segmentos para continuar crescendo. A natureza também está ganhando protagonismo na promoção turística, e o Brasil é um país muito rico nesse aspecto. Temos o Pantanal, Foz do Iguaçu, a Amazônia e muitos outros destinos. É uma oferta que complementa aquilo que os viajantes já conhecem do Brasil. Queremos mostrar que há muitas experiências adicionais para descobrir.

Quais ações vocês têm especificamente para agentes de viagens e operadores?

O lançamento da campanha contempla ações cooperadas com operadores e companhias aéreas. Também estamos comunicando os novos voos para que possam promovê-los e ajudar os viajantes a conhecer esses destinos. Além disso, temos o Brasil Travel Specialist, uma plataforma que promove conhecimento sobre os produtos brasileiros para operadores e profissionais do turismo.

O que a Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027 representa para a promoção turística do Brasil?

É muito importante. Será a primeira vez que a Copa Feminina será realizada na América do Sul e é uma oportunidade para toda a América Latina. As oito cidades-sede têm muito mais do que futebol. Há muito para ver, viver e experimentar. Por isso, já começamos na FIT a mostrar também esses destinos turísticos. Espera-se um impacto econômico importante; o número que estamos trabalhando é de cerca de R$ 8 bilhões.

Que mensagem vocês querem deixar aos argentinos e aos demais viajantes da América do Sul?

Queremos convidá-los a conhecer o Brasil. Estamos começando a apresentar as cidades-sede e temos aqui algumas ativações, além de um passaporte com experiências das cidades. É um convite aos nossos irmãos e a todos os sul-americanos para que venham torcer pelo Brasil no próximo ano. E há algo que muda: as rivalidades são apenas para o futebol masculino. Nós, mulheres, jogamos juntas. É diferente. E acredito que isso dará uma visibilidade enorme ao país e ao futebol feminino.

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