Relatório da CVC Corp Argentina aponta que a busca pelo país vizinho cresceu a dois dígitos, impulsionada por novos voos diretos e maior competitividade nos preços.
O turismo brasileiro vive um momento de forte expansão no mercado vizinho. Segundo um levantamento detalhado da CVC Corp Argentina, o Brasil reafirmou sua posição como o principal destino internacional para os argentinos no primeiro trimestre de 2026, registrando um impressionante salto de 38% na emissão de passagens aéreas em comparação ao mesmo período do ano anterior. O volume total de passageiros transportados pelas marcas do grupo — Almundo, Biblos e Ola — também apresentou uma alta expressiva de 34,5%.
Rio de Janeiro e Nordeste em destaque Embora a “Cidade Maravilhosa” continue sendo a preferida absoluta, detendo 39% da preferência, o relatório destaca uma mudança nos hábitos dos turistas, que agora buscam explorar além do Sudeste. Florianópolis consolidou-se na segunda posição, mas os grandes destaques foram Natal e Recife, que praticamente dobraram sua participação no mercado, evidenciando uma forte diversificação da demanda rumo ao Nordeste brasileiro. Outros destinos como Búzios, Maceió e São Paulo mantiveram sua relevância e estabilidade na busca dos viajantes.
Perfil do viajante e novos hábitos de consumo O perfil do turista argentino também está evoluindo. Atualmente, 73,4% das viagens são autogeridas, com uma antecedência média de reserva de 50 dias. Um dado curioso é a variação no tempo de permanência: enquanto as viagens mais econômicas duram cerca de 7 dias, o segmento de luxo chega a estender a estada para uma média de 14 dias.
Além disso, houve uma mudança drástica nas formas de pagamento. O uso de dinheiro em espécie despencou de 46% para 26,8%, enquanto o uso de cartões de crédito e ferramentas digitais cresceu significativamente, refletindo uma busca por maior flexibilidade financeira.
Aposta na descentralização e preços baixos O boom turístico é sustentado por uma melhor conectividade aérea. A operadora Ola, por exemplo, realizou 42 operações de voos fretados (charters) partindo de cidades como Córdoba, Rosario e Tucumán diretamente para o Nordeste, sem a necessidade de conexões em Buenos Aires. Essa descentralização permitiu que províncias como Buenos Aires (interior) e Chubut registrassem crescimentos de 67% e 50%, respectivamente.
Por fim, o fator econômico foi decisivo: o ticket médio dos pacotes caiu de USD 1.773 para USD 1.687, tornando o Brasil uma opção ainda mais competitiva e acessível para os “hermanos”. Diego García, Diretor Executivo da CVC Corp Argentina, projeta que esse dinamismo se manterá ao longo de todo o ano de 2026.



